A Federação União Progressista deve formalizar uma posição no segundo turno das eleições presidenciais após uma reunião convocada para o dia 6 de outubro. A tendência, segundo o Valor apurou, é de apoio a Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é que só depois d…

A federação União Progressista deve formalizar uma posição no segundo turno das eleições presidenciais após uma reunião convocada para o dia 6 de outubro — dois dias após as urnas serem abertas. A tendência, apurou o Valor, é de apoio a Flávio Bolsonaro (PL).

A avaliação é que só depois da eleição será possível ter clareza sobre o tamanho das bancadas, quem se elegeu ou não, para então abrir uma rodada de conversas. Dentro do União Brasil, sempre houve maioria favorável ao apoio ao candidato do PL e a posição do PP é o que deve contar para a definição.

Há ainda uma expectativa de dirigentes dos partidos que compõem a federação de ter a maior bancada da Câmara dos Deputados e um bom número de governadores eleitos. A projeção é de uma bancada de aproximadamente 110 a 120 deputados, o que daria espaço para negociações.

O que pesou para que a federação não embarcasse já no primeiro turno foi a mágoa do presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), com Flávio Bolsonaro, depois que ligações com o ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, vieram à tona. Na leitura de aliados do parlamentar, o presidenciável “largou Ciro na chuva”, pouco antes do caso “Dark Horse” ser revelado pela imprensa.

Com o crescimento de Flávio nas pesquisas eleitorais, atribuído por integrantes da cúpula das duas legendas à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o Centrão voltou a se aproximar.

Na campanha de Flávio, no entanto, articuladores consideram importantes as alianças partidárias, mas afirmam não esquecer do “isolamento” do PL no momento em que o partido buscava siglas para compor no primeiro turno. A avaliação é de que “quem chega depois ao pote, bebe menos água” e que quem recusou apoio anteriormente não irá “sentar na janela” em um eventual governo.

Já dirigentes do Centrão apontam que o PL também tem responsabilidade pelo seu isolamento e houve falta de habilidade na condução política. “Afinal, nenhum outro partido quis compor. Isso é sintomático”, afirmou um quadro da federação em caráter reservado.

Segundo o Valor apurou, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, sempre foi favorável à composição com Flávio. O posicionamento final da federação, contudo, passou também pela posição de Ciro Nogueira.

As decisões do presidente do PP são classificadas como “pragmáticas” por aliados e ele buscou a neutralidade para garantir a sua eleição no Piauí. O dirigente teria ficado muito magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por considerar que um acordo político não foi cumprido.

Segundo aliados, Lula teria se comprometido a não ir ao Piauí durante a campanha, mas posteriormente esteve no Estado e chamou Ciro Nogueira de “vira-lata”. Essa mágoa recente deve pesar na decisão para um eventual segundo turno.

Outra leitura é de que uma vitória de Flávio Bolsonaro também alteraria a correlação de forças no Congresso. O presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tenderiam a sair politicamente enfraquecidos, embora ambos mantenham força própria em razão dos gestos e das alianças construídas ao longo de suas gestões. O impacto seria mais acentuado para Motta, sobretudo por sua aproximação com o petista durante a campanha. “Ele vestiu o boné do Lula”, avalia um dirigente partidário.

O Republicanos, partido de Motta, ainda não discute uma posição no segundo turno. Essa discussão será feita posteriormente, e ainda não houve conversas com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ou com o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Dirigentes partidários do Centrão também avaliam que o cenário político e institucional do país é “muito ruim” diante da crise no Supremo. A avaliação é de que será necessária “maturidade política” para atravessar o período, porque boa parte da atual situação seria resultado de decisões tomadas “por impulso”. Nesse contexto, caso Flávio se eleja, ele precisaria conseguir estabelecer diálogo com os demais atores institucionais para buscar um caminho de pacificação.

Enquanto isso, a campanha de Lula articula para manter a neutralidade dos principais partidos do Centrão na disputa pelo Palácio do Planalto. Nas últimas semanas, coordenadores petistas vêm conversando com diferentes legendas e trabalham com a avaliação de que partidos como o PSD não deve declarar apoio nacional ao candidato do PL.

Na quarta-feira (23), o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu “voto útil” a Flávio para que ele possa derrotar Lula já no primeiro turno.

“Vamos ser pragmáticos. A gente pode ganhar no primeiro turno”, disse Tarcísio. Em seguida, defendeu o chamado voto casado entre as candidaturas de Flávio e a sua própria. “Quem vota Tarcísio, vota Flávio", afirmou.

O governador de São Paulo também disse que Flávio é hoje o único candidato da oposição com condições de enfrentar Lula. “Eu quero falar com toda a humildade aqui, com todo respeito aos meus adversários, mas de fato quem pode vencer o Lula é Flávio Bolsonaro”, declarou.

Segundo pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (21), Lula e Flávio estão empatados no limite da margem de erro no primeiro turno. O petista está à frente, com 37%, e o candidato do PL chega a 33% No segundo turno, Flávio está ligeiramente na frente, com 42%, e Lula, 41%.