Fernando Heitor é coautor de “Variedades (...como uma ópera bufa erótica e satírica)”, uma peça musicada que revisita os 100 anos do teatro através de 10 personagens assíduas do Parque Mayer

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O Teatro Variedades celebra um século de vida e as comemorações desses 100 anos incluem um livro, uma exposição, um filme, uma dança e uma peça muito especial. "Variedades", como uma ópera bufa, erótica e satírica, que revisita a história do teatro através de 10 personagens assíduas do Parque Mayer: uma varina, um marujo, um ardina, um vendedor de coplas, um cauteleiro, uma menina da barraca de tiros, uma viúva rica que veio do Brasil, uma escritora, uma costureira e o dono de um restaurante. Eles tornam-se guardiões das memórias do teatro. Comigo, um dos seus autores, Fernando Heitor, que nem o homem dos sete instrumentos, ele tem sete profissões no teatro e na televisão. Ele é ator, encenador, dramaturgista, autor, argumentista, guionista e produtor. Com mais de meio século de uma carreira onde se contam êxitos intemporais como "Passa por Mim no Rossio", "Grande Noite" e "Conta-me como foi", debruça-se agora sobre a vida de um teatro que conhece há seis décadas, contando a história, como ele diz, com navalhas, beijos e cantigas, e onde a ingenuidade e a fantasia se conseguem sobrepor à dura cruesa da realidade. Olá, Fernando, e bem-hajá de ter aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.

É um grande prazer estar aqui a falar com o professor. Eu é que agradeço. É engraçado, tu és o que chamam alfacinha de gema e ali encontraste 10 alfacinhas.

Tu compras o majérico.

Sou alfacinha de gema porque nasci cá e porque gosto muito de Lisboa e gosto muito de cá viver.

E também do mar. Como é uma cidade com rio, eu pensei: tu também estás sempre a dizer que adoras o mar, era incapaz de viver numa terra muito interior.

Era impossível, mas o mar está aqui ao lado.

Neste momento, eu estou a passar uns dias no Estoril. É um privilégio viver em Lisboa e ter a mar ali ao lado. Mas mesmo em Belém, onde eu vivo, tenho o rio, que é tão largo que é um mar.

Não era capaz de viver-

Longe dos rios, dos lagos, dos mares.

Não, uma cidade como Madrid, não era capaz.

Sim, que é muito interior. Mas por acaso eles têm uma coisa boa, que é: tudo o que é grandes fontes em Madrid estão sempre a funcionar com muita água. E faz-me pena, que no Rossio está tudo fechado.

Temos aqui ao lado o mar e estão as fontes todas fechadas e dói-me sempre a alma quando vejo isso. E lá, de facto, têm pouca, mas sempre à vista. É verdade que foste desenhador de profissão, chegaste a ser?

Fui, isto é um pouco ridículo. Eu estava a acabar o sétimo ano. Eu fui muito mau aluno, sempre.

Foi no Liceu, também.

Chumbei no segundo, chumbei no quarto.

Tu fugias para o teatro, ias para o Monumental.

Cruzar-te com o Laura Alves.

Exatamente. Depois fiz o sexto e o sétimo só num ano.

Mas já a trabalhar. Os meus pais já estavam fartos.