Antes de estabelecer conexões neurais maduras, projeções vindas do tálamo já podem interferir diretamente na construção do córtex humano. Pesquisadores da UCLA descobriram que o desenvolvimento cortical responde ao contato físico entre axônios talâmicos e células-tronco chamadas glia radial externa. Nos modelos estudados, esse contato aumentou a produção de neurônios excitatórios, especialmente os das camadas... The post Fibras do tálamo chegam ao córtex antes
Axônios talâmicos entram em contato com glia radial externa e aumentam a formação de neurônios excitatórios das camadas superiores
Axônios do tálamo influenciam células progenitoras antes da formação de circuitos maduros Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR
Antes de estabelecer conexões neurais maduras, projeções vindas do tálamo já podem interferir diretamente na construção do córtex humano. Pesquisadores da UCLA descobriram que o desenvolvimento cortical responde ao contato físico entre axônios talâmicos e células-tronco chamadas glia radial externa. Nos modelos estudados, esse contato aumentou a produção de neurônios excitatórios, especialmente os das camadas superiores do córtex.
O tálamo é uma região profunda do cérebro que, posteriormente, envia informações sensoriais e motoras ao córtex. Há décadas, estudos anatômicos indicam que suas projeções alcançam o córtex humano antes de estabelecer as conexões sinápticas maduras pelas quais serão conhecidas no cérebro formado.
Isso levantava uma questão importante: por que essas fibras chegariam tão cedo? O novo estudo sugere que elas já desempenham uma função durante a neurogênese. Antes mesmo de transmitir informações por circuitos maduros, os axônios podem tocar fisicamente células progenitoras e influenciar quais descendentes elas produzirão.
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A equipe criou organoides separados de córtex e tálamo a partir de células-tronco humanas e depois os fundiu, formando estruturas chamadas assembloides. As projeções do lado talâmico cresceram em direção ao tecido cortical e fizeram contato direto com glia radial externa.
Quando esse contato estava presente, aumentou a produção de neurônios excitatórios corticais, com efeito particularmente forte sobre populações associadas às camadas superiores. Essas células são importantes porque ganharam grande expansão durante a evolução do córtex de primatas.
Este vídeo apresenta como organoides cerebrais humanos são produzidos e usados para investigar etapas do desenvolvimento neural.
Um dos resultados centrais envolve a neurexina-1, produzida a partir do gene NRXN1. Essa proteína é mais conhecida por seu papel posterior na formação e organização de sinapses, mas o estudo indica que ela atua ainda antes, ajudando o axônio talâmico a estabelecer contato com a glia radial externa.
Quando os pesquisadores desativaram NRXN1 no lado talâmico dos assembloides, o número desses contatos diminuiu. A produção de neurônios excitatórios das camadas superiores também foi reduzida, fornecendo evidência de que a interação física não era apenas uma coincidência anatômica.
Não necessariamente. O ponto mais interessante é justamente que o contato observado ocorre em uma fase anterior à função sináptica madura tradicionalmente associada às projeções talamocorticais. Os axônios estão presentes, mas parecem desempenhar primeiro um papel de orientação do desenvolvimento.
O trabalho foi publicado na Science. Os pesquisadores também identificaram contatos semelhantes em tecido cortical humano primário, fortalecendo a relevância biológica do fenômeno além dos modelos cultivados em laboratório.
As análises combinaram microscopia, sequenciamento de RNA de núcleos individuais, rastreamento de linhagens celulares e manipulações genéticas. Comparando assembloides completos, tecidos separados e modelos com alterações em NRXN1, os pesquisadores puderam testar a relação entre contato talâmico e destino das células corticais.
Os resultados apontam para uma janela crítica em que sinais vindos de outra região cerebral modificam decisões tomadas por células progenitoras. Isso amplia a ideia de que o córtex seja construído apenas por programas internos das células, mostrando que regiões vizinhas também ajudam a determinar sua composição.
A glia radial externa é muito mais abundante no cérebro humano do que no de roedores e está associada à expansão do córtex. Descobrir que fibras talâmicas conseguem orientar seu comportamento oferece uma explicação para como diferentes regiões cerebrais podem coordenar o crescimento antes de circuitos maduros existirem.
O resultado também fornece um caminho para investigar alterações do neurodesenvolvimento. Como variantes em NRXN1 já foram associadas a transtornos neurológicos e psiquiátricos, compreender sua função precoce pode revelar efeitos que começam muito antes da formação das sinapses adultas.




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