A fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) caiu pelo quarto mês seguido e chegou nesta quinta-feira (25) a 1,9 milhão de pedidos, segundo antecipou à Folha a nova presidente do órgão, Ana Cristina Silveira. É o mais baixo patamar desde outubro de 2024. Leia mais (06/28/2026 - 12h30)

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28.jun.2026 às 12h30

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A fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) caiu pelo quarto mês seguido e chegou nesta quinta-feira (25) a 1,9 milhão de pedidos, segundo antecipou à Folha a nova presidente do órgão, Ana Cristina Silveira. É o mais baixo patamar desde outubro de 2024.

Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em abril, ela disse esperar que o estoque de requerimentos em espera siga em queda gradual nos próximos meses e afirmou que o governo busca ferramentas para tornar a regularização mais duradoura.

Esse deve ser um dos principais desafios dela à frente do órgão, que nos últimos anos impôs aos segurados oscilações significativas no tempo de espera por um benefício e no tamanho da fila —variações que acompanharam o ciclo político.

Após a digitalização dos serviços do INSS, a fila teve um de seus picos em 2021, terceiro ano de gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que determinou a aceleração das concessões ao longo de 2022, ano eleitoral.

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se elegeu com a promessa de pôr fim à espera dos segurados, mas seu governo exibiu sucessivos recordes na fila após decidir segurar concessões e suspender temporariamente a análise de benefícios assistenciais. Em 2026, novamente ano eleitoral, o petista trocou o comando do INSS e ordenou a intensificação das concessões.

"A entrega que a gente quer fazer não é [só] do ano de 2026, é uma entrega estruturante. A gente vai melhorar sistemas e fluxos de trabalho para que a gente possa continuar, de forma permanente, analisando os benefícios, os requerimentos, dentro de um prazo razoável para que a pessoa possa suprir a sua necessidade", disse Silveira.

Em junho, o número de pedidos represados caiu 267 mil, abaixo do ritmo observado em maio (366 mil). A presidente afirmou que espera uma redução mais gradual daqui para frente, uma vez que o instituto já cuidou dos casos passíveis de solução mais rápida.

Ainda assim, ela manteve o compromisso de zerar a fila de requerimentos fora do prazo até o fim de setembro, promessa verbalizada por Lula. Hoje, eles são 616 mil do total de 1,9 milhão de pedidos. Os demais são requerimentos dentro do prazo de 45 dias ou que dependem de informações complementares do segurado.

"A gente está ajustando o fluxo, melhorando o sistema, trazendo os órgãos para trabalhar junto, Ministério da Previdência, Dataprev [estatal de tecnologia que cuida dos sistemas da Previdência], INSS. Essa diminuição [da fila] vai acontecer paulatinamente", disse.

Um dos problemas que ela diz enfrentar são as panes nos sistemas do INSS, que causam transtornos frequentes a servidores e a segurados, interrompendo a análise dos benefícios e afetando a produtividade do órgão.

No ano passado, a Folha mostrou que os sistemas do instituto ficaram 1.466 horas fora do ar de agosto de 2023 a dezembro de 2024. Isso equivale a mais de dois meses de interrupção nos serviços. A Dataprev diz que a soma dos períodos é inadequada, "uma vez que as ocorrências são pontuais, em serviços específicos e de curta duração média". Mas o problema é real —tanto que solucioná-lo virou uma das prioridades da nova gestão do INSS.

"O principal [ponto] que a gente está trabalhando é a estabilidade do sistema. No último mês, não teve queda de sistema, e isso se dá [devido a] esse trabalho conjunto. Toda semana a gente senta com a Dataprev, avalia o que foi feito, o que vai ser feito, prioriza o que é necessário", afirmou a presidente.

"Muitas vezes o sistema sai do ar ou tem algum problema porque há [implementação de] melhorias. O que está nos diferenciando? A gente está escolhendo horários de menor fluxo, alinhando nossa prioridade, [discutindo] os riscos dessa melhoria. Venho conversando com o presidente da Dataprev: não adianta melhorar o sistema e ele ficar instável. Então, a gente está sempre prezando pela estabilidade", acrescentou.

O INSS não detalhou os períodos de interrupção dos sistemas nos últimos meses, mas a Dataprev disse que, em 2026, "não houve registro de descumprimento dos acordos de nível de serviço", que exigem disponibilidade do sistema em ao menos 98% do tempo.