Keiko foi derrotada três vezes no 2º turno antes de vencer; posse está marcada para o dia 28 de julho
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Custou quatro eleições, mas a filha de Alberto Fujimori convenceu os peruanos, 26 anos após o país se livrar da ditadura de seu pai, de que deveria ser presidente.
Keiko Fujimori venceu o segundo turno das eleições presidenciais do Peru, no dia 7 de junho, por uma margem de quase 50 mil votos, de acordo com o Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais). Foram 50,135% dos votos na agora presidente eleita, ante 49,865% no seu adversário, Roberto Sánchez.
O resultado foi proclamado quase um mês após o primeiro turno devido à demora na apuração, à diferença ínfima entre os dois candidatos e à judicialização da contagem. Assim como Keiko, em 2021, Sánchez tentou anular milhares de votos, especialmente os do exterior, que garantiram a vitória da agora presidente eleita.
A novela não parece ter acabado. Sánchez tem convocado manifestações e, na quarta-feira (1º), apresentou um recurso à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) questionando a vitória de Keiko.
O deputado de esquerda foi o quarto político a enfrentar a populista de direita em um segundo turno —marca que rendeu a Keiko a alcunha de eterna candidata. Ela inaugurou essa tradição, agora quebrada, em 2011, quando competiu com o último líder peruano que conseguiu cumprir seu mandato, Ollanta Humala.
Naquele ano, perdeu por menos de três pontos percentuais, fenômeno que também se repetiu nas eleições posteriores. Em 2016, alcançou 49,9% dos votos, contra 50,1% de Pedro Pablo Kuczynski, o PPK; em 2021, os números se repetiram com Pedro Castillo, padrinho do derrotado deste ano.
O que sempre a deixou de fora foi o antifujimorismo, uma das principais forças políticas em um país com partidos praticamente descartáveis e um sistema político formado por instituições fracas.
O rechaço tem explicação. Fujimori governou o Peru de 1990 a 2000 com mão de ferro e se manteve no poder graças a um autogolpe em 1992 —justamente o responsável por desmantelar o sistema político da época, resultando na atual fragmentação e informalidade da política da nação.
A marca de seu regime foi o combate às guerrilhas Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru, conhecidas pela violência com que atuavam, especialmente nas áreas mais pobres do país. A repressão de Fujimori, por sua vez, incluiu pelo menos dois massacres envolvendo civis. O ditador cumpria uma pena de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção quando morreu em 2024, na casa de sua filha Keiko.
Curiosamente, a agora presidente eleita precisou abraçar o legado do pai para vencer, mostrando que o fujimorismo também é uma das correntes ideológicas mais fortes do Peru.
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Sob o lema "Volta Fujimori, volta a ordem", Keiko se colocou como uma versão atualizada de seu pai. Ajudou a agora presidente eleita a crise de segurança pela qual o país passa e que fez dezenas de milhares de peruanos saírem às ruas no ano passado, em um ciclo de protestos que acabou derrubando a então presidente Dina Boluarte.
No primeiro turno, no dia 12 de abril, ela escolheu começar o dia da votação sob o túmulo do ditador. "Eu gostaria que quem estivesse falando aqui hoje fosse meu pai", disse ela horas depois, no típico café da manhã com eleitores e jornalistas que os candidatos fazem nos dias de votação, uma tradição iniciada por Fujimori em 1990.




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