Ao falar sobre uso de tecnologias em produções de Hollywood, atriz usou o filme como exemplo de "excesso de robôs"

Compartilhar matériaA atriz Jodie Foster, 63, falou em entrevista no quadro "Who Owns the Future of Hollywood", sobre como as produções de Hollywood têm sofrido mudanças significativas nas últimas décadas. Ao criticar o uso excessivo de novas tecnologias nos filmes, ela citou "F1: O filme", estrelado por Brad Pitt, como um dos que parecem ter sido feitos por Inteligência Artificial (IA).

As declarações foram feitas no evento Aspen Festival of Ideas sobre o futuro do cinema em Hollywood, que contou com a presença do ex-CEO da Sony Pictures, Michael Lynton. A revista Variety acompanhou o painel em que o empresário entrevistou Foster a respeito de suas opiniões no tema.

“Não digo isso de forma depreciativa — como poderia? Esse filme acabou arrecadando milhões de dólares. Mas olho para um filme como ‘F1’ e penso: ‘F1’ foi feito por IA", apontou a atriz. "Quer dizer, a estrutura era exatamente aquela que se aprende na escola. Os atores dizem as falas exatamente da maneira como seriam escritas se um computador estivesse redigindo o que fosse mais adequado para aquele momento."

O filme cria um enredo fictício que se passa no universo da Fórmula 1 e traz elementos do esporte. “F1” arrecadou US$ 634 milhões mundialmente e foi indicado a quatro Oscars, incluindo o de Melhor Filme, e venceu na categoria de Melhor Som.

Em "F1", Sonny Hayes (Brad Pitt), fenômeno mais promissor da Fórmula 1 da década de 1990, sofreu um grande fracasso. Trinta anos depois, vive do trabalho como piloto nômade de aluguel, até que é contatado pelo seu ex-companheiro de equipe Ruben Cervantes (Javier Bardem), dono de uma equipe de Fórmula 1 em dificuldade e à beira do colapso.

Vários painéis do festival anual abordaram o surgimento da IA ​​e seu impacto na sociedade, e Lynton perguntou a Foster quais ela acreditava que seriam os efeitos dessa tecnologia: "A IA é mais um grande passo rumo à transformação da indústria", disse ela, após detalhar as mudanças que a computação gráfica (CGI) e a tecnologia digital trouxeram para o mercado cinematográfico.

"Nós já substituímos pessoas", respondeu Foster, explicando como os estúdios economizam dinheiro em cenas de multidão ao replicar figurantes. “Estamos eliminando muitos empregos e, com sorte, entidades como os sindicatos poderão intervir e dizer: ‘Você pode usar meu ator 20 vezes, mas vai pagá-lo 20 vezes’. E acho isso justo", defendeu a atriz.