Nascida em Caixa D’Água, bairro periférico de Olinda, em Pernambuco, ao lado de Aguazinhas e Peixinhos, Vitória Genuíno tem 30 anos e sofreu com as enchentes e a pobreza de onde ela veio. Hoje é a primeira mulher negra Secretária Nacional da Juventude. Formad…

Vitória Genuíno conversou com o DCM de Porto Alegre, durante as atividades com o Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.

Diário do Centro do Mundo: Como você descobriu o MTST?

Vitória Genuíno: Fiz Direito na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Na época, a gente estava trabalhando com a possibilidade de desenvolver uma assessoria jurídica popular para trabalhadores informais no Recife.

Em Pernambuco, a gente sofre muito com enchente lá. E esses bairros localizados ao redor do território sofrem ainda mais. A minha trajetória de construção da luta em si passa pelo movimento estudantil na universidade.

Minha mãe atuava em sindicato, mas não de uma forma tão direta.

Lá na Universidade Católica é um tipo de universidade que a gente chama de comunitária, mas é uma universidade privada e eu cursei direito através do FIES. Sou uma mulher negra e uma filha do FIES.

Foi na universidade que você fez parte do Movimento Muda?

Isso, o Coletivo Muda é um coletivo de estudantes de direito. Participei, depois de fazer parte de iniciativa de calouros, do Diretório Acadêmico Fernando de Santa Cruz. Isso fez eu me envolver no movimento estudantil e a tocar os debates junto com os companheiros na época.

Outro movimento que você fez parte, além do Muda, foi uma estrutura de nacionalização do MTST que é o Fogo no Pavio. Você pode falar um pouquinho do seu trabalho lá?

No movimento estudantil eu conheço o MTST. Foi assim que eu participei da primeira ocupação no estado do Pernambuco em 2017, a Carolina Maria de Jesus. A partir disso, a gente começa também a articular a juventude do movimento no estado e outras juventudes que existem pelo país.

A gente, enquanto movimento de luta por moradia, entendeu a necessidade e a importância de articular o máximo de todos os grupos de juventude pelo país. A grande parte das pessoas sem teto, ainda hoje, são mulheres e jovens.

Fui destacada dentro do movimento para tocar essa nacionalização. O MTST entende a importância dessa nacionalização da juventude e da luta pela juventude de forma mais concreta.

A gente inicia esse movimento da Fogo no Pavio de forma mais nacionalizada.

Como é que foi essa experiência da UNE? Você, nesse processo todo, conheceu o trabalho do Boulos e o trabalho de outros núcleos do MTST?

Tive alguns contatos com Guilherme Boulos antes, mas ativamente foi dividindo esse espaço de coordenação nacional. No Fogo no Pavio reunimos essa juventude sem teto que estava na universidade privada.

Defendemos a universidade pública, gratuita e universal para todo mundo, mas tem uma realidade de uma gama de jovens trabalhadores que estudam nas universidades privadas. Eles têm o debate em torno de permanência, da qualidade da educação, como você consegue trabalhar e estudar.

Depois da Fogo no Pavio e da UNE, você fez parte da coordenação da Caravana nas Periferias, um projeto da Secretaria Nacional das Periferias do Ministério das Cidades. Lá você encaminhou projetos de preservação de risco em periferias de diversos estados. Queria te perguntar, nesse projeto que envolveu diferentes estados, já no começo de governo Lula, se você atuou na periferia de Olinda e como é que foi um pouco desse trabalho?

Eu tive a honra de acompanhar Guilherme Simões, o primeiro secretário nacional de periferias. Acho que é importante destacar que essa secretaria tem um trabalho muito legal. É uma demanda histórica dos movimentos de luta por moradia, movimentos sociais.

Debatemos a urbanização de favela com a comunidade. Então, o secretário Guilherme, na época, fez a discussão em torno do risco dos mais periféricos.

Fizemos a caravana das periferias, ideia de rodar todo o país para falar das ações do Ministério das Cidades e para construir as estratégias de diminuição desses riscos para as comunidades e diretamente com os moradores.