Josué Gomes desponta como principal nome do PSB para compor chapa encabeçada por Patrus Ananias; conversas entre os partidos avançaram nesta terça-feira

Priorizar nos meus resultados Google O empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, desponta como principal nome do PSB para ocupar a vaga de vice na chapa que deve ser encabeçada pelo deputado federal Patrus Ananias (PT) na disputa pelo governo de Minas Gerais. A possibilidade ganhou força após uma reunião entre dirigentes das duas legendas realizada nesta terça-feira, 21, para discutir a composição da aliança no estado.

Segundo apurou VEJA, PT e PSB avançaram nas negociações para formar uma chapa conjunta em Minas. Embora a definição sobre o vice ainda dependa das deliberações internas dos partidos, Josué passou a ser o nome mais cotado para ocupar o posto.

A articulação ocorre depois de mudanças no cenário interno do PSB. O procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior, inicialmente tratado como principal opção da legenda para disputar o governo mineiro, resiste à possibilidade de integrar a chapa como vice. Já o ex-senador Clésio Andrade, que figurava entre as alternativas do partido, decidiu desistir de participar da convenção da legenda, reduzindo o número de opções para a composição majoritária.

Em nota, a presidente do PT de Minas Gerais, deputada Leninha, informou que o encontro entre dirigentes das duas siglas teve como objetivo discutir o cenário político estadual e avançar na construção de uma candidatura conjunta. Participaram da reunião, além de Patrus Ananias, o líder do bloco do PT na Assembleia Legislativa, deputado Ulysses Gomes, o coordenador da pré-campanha Pedro Patrus, o presidente estadual do PSB, Otacilinho, e Jarbas Soares.

Segundo o comunicado, as conversas continuarão nos próximos dias “com confiança na construção de uma unidade cada vez mais forte” entre as legendas, enquanto a definição da chapa dependerá também dos debates internos de cada partido.

A candidatura de Patrus foi consolidada após meses de tentativas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de encontrar um nome competitivo para representá-lo em Minas Gerais. Antes de recorrer ao ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro do Desenvolvimento Social, Lula tentou convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSB) a disputar o Palácio Tiradentes. Diante da recusa, também buscou um entendimento com o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e sondou a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que preferiu manter o projeto de concorrer ao Senado.

Patrus acabou sendo oficializado como candidato do PT depois de uma reunião com Lula na semana passada, quando recebeu o aval do presidente para liderar o palanque petista no estado.

Caso seja confirmado como vice, Josué Gomes voltará a integrar uma chapa apoiada pelo PT doze anos depois de disputar o Senado por Minas Gerais, em 2014, então filiado ao MDB. Na ocasião, concorreu na mesma coligação da presidente Dilma Rousseff e do então candidato ao governo Fernando Pimentel (PT), recebeu mais de 3,6 milhões de votos e terminou em segundo lugar, atrás de Antonio Anastasia — naquela eleição só uma vaga estava em disputa.

Presidente da Coteminas e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué filiou-se ao PSB neste ano após um período de aproximação com lideranças da legenda e interlocutores do Palácio do Planalto. Desde então, seu nome passou a ser cogitado para diferentes composições eleitorais em Minas, mas ganhou força nas últimas semanas diante da necessidade de PT e PSB construírem uma chapa competitiva para enfrentar uma das disputas estaduais mais indefinidas do país.

Se confirmada, a aliança reunirá dois personagens com forte vínculo simbólico com o presidente Lula: Patrus, ministro do Desenvolvimento Social no primeiro mandato do petista e um dos formuladores do Bolsa Família, e Josué, herdeiro político de José Alencar, vice-presidente que acompanhou Lula durante seus dois primeiros mandatos no Palácio do Planalto.