Brilhando intensamente em 'Quem Ama Cuida', como a exuberante Fábia, a atriz rememora seus papeis mais emblemáticos

Em Quem Ama Cuida, Fábia vive numa realidade paralela. Uma vida de ilusões, que cai por terra no capítulo do sábado 13/09, quando descobre que o marido, Ulisses (Alexandre Borges), é viciado em jogo e que vendeu sua parte na joalheria da família para uma desconhecida. O mundinho cor de rosa de Fabia vira ao avesso e o público se delicia com o desempenho fascinante e cheio de camadas de sua intérprete, Flávia Alessandra, que mergulha no abismo na nova fase da exuberante Fábia.

Aos 52 anos de vida e 37 de carreira, Flávia é dona de uma galeria de personagens inesquecíveis e pedimos para a atriz listar aqueles que considera mais emblemáticas.

Top Model (1989) - Tânia

"Top Model foi literalmente o começo de tudo. Eu tinha apenas 15 anos, tinha acabado de vencer o concurso do Domingão do Faustão e estava descobrindo aquela profissão que sonhava desde criança. A Taninha era uma personagem pequena, mas representou uma porta enorme se abrindo para mim.

Eu estudava de manhã, na Tijuca, e morava na Barra. Uma kombi passava para buscar o elenco e seguíamos direto para as gravações. Naquela época ainda não existiam os Estúdios Globo, então gravávamos em vários lugares da cidade. Lembro que a nossa principal locação era a Praia da Macumba, que era praticamente deserta. A Globo construiu uma casa ali para a novela e eu saía da escola direto para a praia, almoçava por lá e começava a gravar. Hoje isso seria impossível. Em cinco minutos a internet lotaria o lugar, mas naquela época a notícia demorava dias para circular.

Tenho lembranças muito divertidas. Uma delas foi uma cena de briga com a Suzy Rêgo, em que ela jogava um copo de suco na minha cabeça. Misturou areia com aquele suco e virou uma massa no meu cabelo. Eu também nunca tinha feito uma cena de briga e dá para perceber claramente que eu estava com medo de machucá-la. Outra lembrança engraçada foi quando fui passar um fim de semana em Arraial do Cabo, voltei completamente queimada de sol e os diretores ficaram desesperados por causa da continuidade das cenas. Foi ali que aprendi uma das primeiras lições da televisão."

História de Amor (1995) - Soninha

"A Soninha foi a primeira personagem que realmente me deu visibilidade. Foi quando senti que estava participando da narrativa da novela do começo ao fim. Eu era a melhor amiga da protagonista, então estava presente em muitas cenas, e isso mudou completamente minha trajetória.

Nessa época eu fazia duas faculdades ao mesmo tempo: Direito pela manhã e Comunicação à noite, enquanto gravava. Sempre fui criada sabemdo que precisava ter independência financeira, porque viver de arte no Brasil nunca foi fácil. Eu via muitos talentos desistindo da profissão e queria ter um plano B.

Mas História de Amor mudou esse cenário. Toda segunda-feira gravávamos em um clube no Leblon, justamente no único horário em que eu tinha aula de uma matéria da faculdade. Era muito difícil conciliar tudo mas foi a primeira vez que a vida me mostrou que a atuação realmente poderia ser o meu caminho.

No fim da novela, recebi um fax do Manoel Carlos me parabenizando pelo trabalho e agradecendo por ter dado vida à Soninha. Foi a primeira chancela que recebi de um autor e aquele gesto me deu ainda mais certeza de que eu tinha feito a escolha certa."

A Indomada (1997) - Dorothy

"A Dorothy foi um divisor de águas. Pela primeira vez eu tinha uma personagem com família, casa, história e um arco dramático muito consistente. Ela era doce, insegura e sofria muita pressão por ainda estar solteira. Depois de uma grande decepção amorosa, tenta tirar a própria vida e renasce quando conhece o personagem do Marcos Frota.

O mais bonito era justamente acompanhar essa transformação. Ela deixa de viver para agradar os outros e entende que o amor não precisa seguir regras impostas pela sociedade. O final dela, decidindo que não precisava se casar para provar nada a ninguém, era extremamente moderno para a época.

A Dorothy me deu uma projeção muito grande. Foi quando senti que realmente havia conquistado meu espaço como atriz."

Porto dos Milagres (2001) - Lívia

"A Lívia foi minha primeira protagonista de uma novela e isso já torna essa personagem inesquecível. Recebi o convite quando estava no final da gravidez da Giulia e aceitei sem pensar duas vezes. Quando comecei a gravar, ela tinha apenas dois meses e foi comigo para a Bahia. Tenho fotos lindas dela ainda bebê nos bastidores.

Lembro muito de uma sequência logo no início da novela, quando a Lívia quase morre em uma tempestade no mar e é salva pelo personagem do Marcos Palmeira. Enquanto ele a resgata, passa a enxergá-la como uma representação de Iemanjá. Acho essa cena de uma beleza impressionante e ela ficou marcada para sempre na minha memória."

Alma Gêmea (2005) - Cristina

"A Cristina foi um marco absoluto na minha carreira. Depois de alguns anos longe das novelas, eu queria voltar de uma maneira completamente diferente e fazer uma vilã foi a melhor decisão possível.