Articuladores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) atribuem o crescimento do candidato nas pesquisas eleitorais, para além da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), à redução da diferença para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste e à melhora do desemp…

Articuladores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) atribuem o crescimento do candidato nas pesquisas eleitorais, para além da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), à redução da diferença para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste e à melhora do desempenho entre as mulheres. Para a reta final da campanha até o primeiro turno, o candidato do PL irá intensificar as agendas no Sudeste como estratégia para melhorar o desempenho na região que comporta o maior colégio eleitoral do país.

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Historicamente lulista, o Nordeste esteve entre os focos recentes de Flávio que cumpriu uma série de agendas na região. A melhora de seu desempenho no local é associada internamente à atuação do vice, Alfredo Gaspar (PL). Ele é de Alagoas, tem feito agendas com Flávio e concentrado seus discursos na segurança pública e combate à corrupção.

Apesar de estar atrás de Lula na região, aliados de Flávio veem com otimismo os dados de desaprovação regional do atual governo. Na Quaest divulgada em 7 de setembro, esse índice no Nordeste chegou a 35%, ante 29% em julho, uma alta de seis pontos percentuais.

Para os cerca de 15 dias restantes até o primeiro turno, no entanto, a principal aposta de crescimento será o Sudeste. Flávio cumpriu agendas nos últimos dias em cidades no Ceará, Pernambuco e Bahia. No fim de semana deve fazer um desvio para Santa Catarina. Na segunda-feira (21), irá ao Rio Grande do Norte e terminará a rodada no Nordeste no Maranhão. Em seguida, seguirá para Minas e concentrará o foco no Sudeste.

As últimas pesquisas eleitorais apontam que Flávio melhorou o desempenho nessa região. Segundo pesquisa Quaest divulgada no dia 14 de setembro, no Sudeste, a vantagem de Flávio cresceu para 16 pontos, ante 9 pontos no levantamento anterior. Na região, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passou de 43% para 47% das preferências. Já Lula oscilou de 34% para 31%. As variações ocorreram dentro da margem de erro, mas indicam uma curva positiva para o bolsonarista.

O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), tem dito, em falas públicas, que a região estará no centro da estratégia da campanha. Isso porque, até pouco tempo atrás, o desempenho de Flávio no Sudeste ainda não havia alcançado o patamar do ex-presidente nesses locais em 2022. Naquele ano, Bolsonaro venceu na região nos dois turnos. O ex-presidente venceu em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, enquanto Lula ficou à frente em Minas Gerais.

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Minas terá papel fundamental na leitura dos estrategistas da campanha de Flávio. Em agenda em Juiz de Fora (MG), na semana passada, o próprio candidato destacou a importância de melhorar o desempenho no Estado. “Quem ganha em Minas, ganha no Brasil”, disse ele na ocasião.

Além disso, também houve melhora entre o eleitorado feminino, mesmo permanecendo numericamente atrás do presidente. A figura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, da coordenadora econômica Daniella Marques e da esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro, devem continuar sendo exploradas para atrair o eleitorado feminino.

Aposta no apoio de Tarcísio

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a campanha aposta no governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como um dos principais cabos eleitorais de Flávio. Aliados avaliam que a participação do governador pode ajudar a mobilizar o eleitorado paulista na reta final da disputa. Já há, inclusive, planejamento de agendas conjuntas entre Tarcísio e Flávio no Estado.

A região Sul é vista por aliados como um cenário “mais definido”, onde Flávio já possui um eleitorado consolidado. A avaliação dos articuladores é também que o candidato do PL passou a “jogar para o próprio time”, priorizando a mobilização de seu eleitorado e pautas da direita, sem abandonar esforços para conquistar indecisos.

A leitura é de que Flávio herdou os votos do pai, mas também absorveu a rejeição de Bolsonaro. Esse segundo ponto, dizem, é reversível à medida que a população “conhece mais o Flávio”.