Candidato à Presidência pelo PL participou de sabatina na Rede Globo, após o Jornal Nacional; respondeu sobre Vorcaro, tarifaço e urnas eletrônicas

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)  prometeu  combate à corrupção, tesouraço nos impostos, segurança jurídica, redução dos cargos comissionados no serviço público e controle dos gastos públicos. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (28), durante entrevista da TV Globo exibida ao vivo após o "Jornal Nacional".

A entrevista marca a série da emissora com candidatos à Presidência e foi conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, foi marcada por questionamentos sobre temas polêmicos envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Pix, tarifaço, críticas às urnas eletrônicas, relação com o miliciano Adriano da Nóbrega, entre outras questões.  

Na sabatina, Flávio Bolsonaro anunciou o médico Cláudio Lottenberg como seu ministro da Saúde, numa eventual vitória nas urnas, em outubro.

A sabatina com Flávio Bolsonaro começou com questionamentos sobre a relação do candidato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso suspeito de envolvimento na maior fraude financeira do sistema brasileiro, que veio à tona com um áudio vazado no dia 13 de maio último. A mensagem trazia o parlamentar pedindo recursos, cerca de R$ 134 milhões inicialmente, associados a repasses investigados em torno de R$ 61 milhões, para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O candidato admitiu ter pedido patrocínio para o filme sobre Jair Bolsonaro, mas afirmou que não recebeu dinheiro pessoalmente. Disse que sua relação com Vorcaro era exclusivamente ligada ao financiamento do filme e negou qualquer contrapartida política.

Defendeu que houve prestação de contas e perícia sobre os gastos do filme, mas não apresentou, na entrevista, todos os documentos e detalhes financeiros cobrados pelos jornalistas.

Para rebater as acusações, direcionou o foco para supostas relações de Vorcaro com o governo Lula.

Flávio Bolsonaro rejeitou as condenações de Jair Bolsonaro e classificou o processo como uma “farsa” e um julgamento realizado por adversários políticos.

Questionou a existência de uma organização criminosa e a responsabilidade de Jair Bolsonaro pelos atos de 8 de janeiro. Desqualificou depoimentos de militares e outras evidências apresentadas no processo.

O candidato do PL prometeu trabalhar por anistia aos envolvidos nos atos relacionados à tentativa de ruptura institucional e afirmou que, se eleito, pretende recuperar a “segurança jurídica” e fazer com que o Supremo Tribunal Federal cumpra, segundo ele, seu papel constitucional.

Flávio afirmou que respeitará o resultado das eleições. Quando questionado se respeitará inclusive se perder, respondeu que ganhará as eleições no primeiro turno.

Disse que uma declaração anterior sobre a participação da empresa venezuelana na fabricação das urnas foi equivocada e negou ter questionado diretamente a legitimidade das urnas eletrônicas.

Flávio declarou que o  Pix é “sagrado” e “innegociável” e que não pretende colocá-lo em negociação com os Estados Unidos. Defendeu o sistema de pagamentos instantâneos e afirmou que ele foi criado durante o governo Jair Bolsonaro.

Sobre a declaração do seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que comparou o Pix ao Zelle, sistema americanos de pagamento, disse que a fala teria sido interpretada de forma distorcida e que o irmão não sugeriu negociar o sistema brasileiros com os Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro foi questionado sobre uma postagem de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que elogiou Donald Trump após o anúncio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, chegando a pedir que brasileiros agradecessem ao presidente americano.

Reconheceu que Eduardo errou ao agradecer a Donald Trump, mas negou que o irmão tenha sido responsável pela decisão de Trump. Defendeu a atuação do irmão nos Estados Unidos como uma tentativa de denunciar o que considera violações de direitos no Brasil.

Flávio afirmou que foi aos EUA para defender empresas brasileiras e se posicionou contra as tarifas. Segundo ele, pediu ao governo Trump que cancelasse as tarifas e, como argumento adicional, mencionou a possibilidade de uma mudança de governo no Brasil.

Renata Vasconcellos observou que, na documentação enviada ao governo americano, o pedido formal era de adiamento da implementação das tarifas, e não de encerramento da medida. Flávio justificou que tentou usar todos os argumentos possíveis para evitar ou reduzir os impactos das tarifas sobre o Brasil, inclusive a possibilidade de uma futura mudança de governo.

Ele também atribuiu parte da responsabilidade pelo tarifaço ao governo Lula, alegando que a postura de Lula teria provocado o governo Trump.

Sobre a relação com Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope e apontado como chefe de milícia, morto durante uma operação policial no município de Esplanada, na Bahia, Flávio justificou a homenagem e a Medalha Tiradentes concedida a ele dizendo que, na época, Adriano era visto como policial exemplar e ainda não tinha as acusações que surgiram posteriormente.