Senador enviou manifestação ao órgão comercial dos EUA e pediu adiamento de tarifas contra produtos brasileiros por 180 dias.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) propôs ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos um compromisso legislativo para impedir que o Pix seja conectado a “arranjos de liquidação transfronteiriços não ocidentais”. A manifestação integra a discussão sobre possíveis tarifas americanas contra exportações brasileiras.
No documento enviado nesta quarta-feira (01), Flávio afirma que uma punição ao sistema brasileiro de pagamentos não resolveria a disputa comercial. “Uma sanção ou tarifa é a medida errada: não altera a arquitetura do sistema de pagamentos e prejudica o investimento dos EUA”, escreveu o senador.
Flávio também defendeu que o Pix não substitui cartões de crédito e débito nem outros serviços financeiros privados. “Instrumentos de pagamento privados — cartões de crédito e débito, e outros tipos de empresas — oferecem funções que o Pix não substitui, incluindo crédito ao consumidor, financiamento, proteção contra disputas e mecanismos de estorno”, afirmou.
O senador classificou o Pix como “infraestrutura pública soberana de pagamentos” e disse que a tese de conflito de interesses é “exagerada”. Ele comparou o sistema brasileiro ao FedNow, plataforma de pagamentos instantâneos operada pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
No documento de 86 páginas, Flávio pediu que o governo americano adie por 180 dias a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros. A proposta empurraria as taxas de 25% para depois das eleições presidenciais no Brasil.
O senador se apresenta como pré-candidato do PL à Presidência da República e afirma que tarifas anteriores não mudaram o comportamento das autoridades brasileiras. Para ele, novas medidas poderiam fortalecer politicamente o governo Lula em ano eleitoral, ao permitir que o Planalto trate a retaliação como ataque à soberania nacional.
Flávio consta na lista de participantes de uma audiência pública do órgão comercial dos EUA marcada para 7 de julho. Também aparecem entre os inscritos o influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, a Confederação Nacional da Indústria e representantes de setores como agronegócio, varejo e mineração.
A investigação americana, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, envolve temas como PIX, regulação de plataformas digitais, propriedade intelectual, etanol, corrupção e desmatamento. O governo Lula também enviou resposta ao órgão americano, assinada pelo ministro Mauro Vieira, na qual nega que práticas brasileiras sejam discriminatórias ou imponham barreiras ao comércio dos Estados Unidos.




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