Promotor de crises na direita, o filho do ex-presidente comete erros que comprometem sua candidatura antes mesmo do início da batalha eleitoral com a esquerda

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A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, vista como um presente para Lula, tem sido marcada por uma série de erros. Seus ataques ao sistema eleitoral com fake news e a dificuldade em unir a direita minam sua imagem de moderado e fortalecem o campo da esquerda, desgastando seu capital político antes mesmo da disputa.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Em dezembro do ano passado, quando anunciou que seria candidato ao Planalto, por força da vontade do pai, então preso na carceragem da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro enfrentou fortes reações de caciques da direita, então empenhados na candidatura de Tarcísio de Freitas.

Entendendo o que o anúncio significava, Lula e a esquerda evitaram atacar o filho de Jair Bolsonaro, torcendo para que ele de fato conseguisse enquadrar a direita a apoiá-lo. “É o melhor adversário que Lula poderia ter”, disse ao Radar, naqueles dias, um auxiliar do petista no Planalto.

O que alegrava os petistas e colocava sob tensão a direita era a constatação de que a candidatura de Flávio acabava com a chance de sepultar fantasmas da aventura bolsonarista no poder.

Enfrentando o filho de Bolsonaro, Lula poderia invocar os velhos esqueletos do clã, como o despreparo político, o histórico de ataques ao sistema eleitoral, o passado de proximidade com as milícias do Rio de Janeiro…

Em oito meses de pré-candidatura anunciada, Flávio Bolsonaro fez exatamente o que os petistas esperavam dele. Com a ajuda dos irmãos, dividiu a direita, buscou enquadrar na marra os aliados e colecionou episódios desastrosos na política — como o tarifaço dos Estados Unidos e, agora, a investida contra o sistema eleitoral — que livraram Lula da impopularidade de seu governo envelhecido e sem ideias.

Ao usar uma reunião com embaixadores para atentar contra a credibilidade do sistema eleitoral, nesta semana, Flávio Bolsonaro comprometeu seu discurso de moderação, uma espécie de blindagem que ele havia criado ao se anunciar candidato prometendo ser “diferente” do pai.

Nesta terça, em Brasília, o senador se reuniu com representantes de cerca de 40 países num evento sobre os rumos do Brasil. Durante o encontro, Flávio replicou uma velha fake news segundo a qual o Brasil utilizaria urnas eletrônicas fabricadas por uma empresa venezuelana envolvida em fraudes nas eleições da Venezuela em 2012, um fato já desmentido pelo TSE nos tempos do pai dele.

Ao cometer o novo erro, Flávio Bolsonaro deu mais um discurso a Lula e o petismo na campanha, enquanto se prepara para uma convenção marcada por desconfianças e falta de aliados.

Ex-ministra do governo Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina esnobou o convite para ser vice do Zero Um. Outros partidos que deram sustentação ao governo bolsonarista também relutam em embarcar na canoa de Flávio.

De crise em crise, o filho de Bolsonaro vai comprometendo seu capital político antes mesmo do início da guerra eleitoral com a esquerda.