Candidatos à Presidência reagiram nesta terça-feira (15) ao julgamento que pode autorizar a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Miss…

No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniu para analisar as suspeitas sobre Alexandre de Moraes, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, buscou reforçar a estratégia de vincular o ministro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário. Em vídeo publicado nas redes sociais e no horário eleitoral na TV, Flávio afirmou que Lula “dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes” e, como consequência, o Brasil ficou “sem presidente nenhum, sem comando”.

Na peça, gravada em formato de “pronunciamento oficial”, Flávio também classificou como um “escândalo” a atuação do ministro do Supremo, algoz de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e outros condenados no julgamento da trama golpista. Em uma disputa pela “bandeira antissistema”, ele também alegou que o governo Lula faz parte de um “sistema que está apodrecido” e que estaria se revelando “aos olhos de toda a nação”.

À noite e com a sessão do STF já encerrada, em evento de campanha em Fortaleza (CE), Flávio disse que “votar em Lula é votar em Moraes” e voltou a prometer que, se eleito, indicará cinco ministros para o Supremo — número que considera três futuras aposentadorias, uma vaga já em aberto e um eventual afastamento de Moraes.

Ao comentar a sessão, afirmou ainda que houve uma “tentativa de blindagem de Moraes”. “A tropa de choque no Supremo do Lula entrou em campo, o ex-ministro da Injustiça do Lula”, afirmou, em referência a Flávio Dino, que foi ministro da Justiça antes de ir para o STF e foi autor do pedido de vista (mais tempo para análise) que interrompeu o julgamento de uma questão de ordem sobre o caso.

Aliados de Flávio dizem que o julgamento é “ruim” para Lula, “independentemente do desfecho”. A leitura é de que, ainda que a investigação contra Moraes não seja aberta, a Suprema Corte passará uma imagem de impunidade à população brasileira e de blindagem a seus magistrados. Essa percepção, na avaliação de quadros do PL, favorece o bolsonarismo e prejudica o petista.

Outros nomes de oposição a Lula também comentaram a sessão de terça-feira. O candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, classificou, em tom de ironia, Flávio Dino como o “player of the match”, ou seja, o melhor jogador da partida. Para ele, o lado dos magistrados que ele considera ser “anti-Xandão” demonstrou fraqueza nos argumentos.

“O [Flávio] Dino e o Gilmar [Mendes] foram ‘tratorar’ na sessão hoje. Especialmente o Dino. E é uma pena que o lado ‘anti-Xandão’ tenha sido tão fraco hoje, é uma pena. Se hoje isso fosse um jogo de futebol, o Dino foi o ‘player of the match’”, disse Santos, enquanto comia uma pizza em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, fazendo alusão à ideia de que esse processo no STF pode “acabar em pizza”.

Após a sessão plenária, Renan Santos criticou o resultado e a condução do julgamento pelo presidente da Corte, Edson Fachin. “Que pizza horrorosa. Isso aqui virou um não-país”, disse.

Já o candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, disse que espera que a decisão final seja pela investigação de Alexandre de Moraes. “Ainda está na fase processual, mas eu acredito que o Supremo Tribunal Federal dará aquilo que toda a sociedade brasileira deseja neste momento, que é a autorização para que haja investigação do ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Caiado, após evento de campanha em Aparecida de Goiânia (GO).

Presidenciável do Novo, Romeu Zema afirmou em ato na Esplanada dos Ministérios que o STF está com “frutas podres” e defendeu que qualquer ministro suspeito de envolvimento no caso Master deve ser investigado. Para Zema, a crise no STF teria “aflorado” devido à “cultura dos intocáveis”.

Augusto Cury (Avante) usou o episódio para defender mudanças no STF. Ele propôs mandato de oito anos para ministros, fim da vitaliciedade, critérios públicos para indicações e sabatinas no Senado. (Colaboraram Murillo Camarotto e Ruan Amorim)