O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), reforçou a estratégia de colar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à do ministro Alexandre de Moraes, atingido pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira (1…
O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), reforçou a estratégia de colar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à do ministro Alexandre de Moraes, atingido pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira (16), disse que Lula “deve seu mandato” a Moraes. A declaração foi dada em agenda de campanha de Pernambuco, parte do giro pelo Nordeste por meio do qual Flávio busca atingir o petista em outra frente: reduzir sua vantagem eleitoral na região. Com atividades eleitorais no Ceará, Pernambuco e Bahia, a campanha do senador tenta diminuir a votação do presidente em Estados em que Lula foi bem votado em 2022.
“Ontem [terça-feira, 15] Lula criticou [Moraes], hoje já elogiou, já passou a mão na cabeça... Tá devendo, Lula?”, afirmou em ato de campanha no Recife.
Em discurso na capital pernambucana, Flávio voltou a afirmar que quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O senador afirmou que a sessão do STF, encerrada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, após pedido de vista de Dino, foi digna de “nojo” e um “show de hipocrisia, de deboche e de falta de respeito” com “ministros militantes que não representam o Judiciário”.
O presidenciável do PL disse que, se eleito, vai indicar cinco ministros ao STF que sejam contra o aborto e as drogas — a conta considera um eventual afastamento de Moraes. “Imagina como ficará o STF se esse governo continuar por mais quatro anos?”, disse enquanto a plateia entoava o coro “Fora Moraes”.
Flávio fez dois dias seguidos de agendas no Ceará, na terça (15) e quarta-feira (16), em encontros com lideranças políticas, comícios e caminhadas, antes de seguira para Pernambuco. O presidenciável do PL foi a Fortaleza e Juazeiro do Norte, cidade conhecida como a terra do Padre Cícero, na região do Cariri, segundo maior colégio eleitoral do Ceará, com cerca de 800 mil eleitores.
Nesta quinta-feira (17), deve ir a Vitória da Conquista, na Bahia. No fim de agosto, foi a Maceió e Arapiraca, em Alagoas, Estado pelo qual seu vice na chapa, Alfredo Gaspar, elegeu-se deputado.
Aliados de Flávio avaliam que Lula deve vencer nos Estados do Nordeste, mas a estratégia da campanha do PL é tentar reduzir a vantagem do petista na região, o que pode prejudicá-lo na soma geral dos votos no país. Na eleição passada, a vantagem registrada por Lula em colégios eleitorais nordestinos ajudou a “compensar” a desvantagem em Estados de outras regiões, como Sul e Sudeste.
No Ceará, Lula venceu no segundo turno da eleição de 2022 com 2,17 milhões de votos a mais do que o então presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista teve 69,9% dos votos ante 30,03% do adversário. Na Bahia, a diferença foi ainda maior: 3,7 milhões de votos a mais no segundo turno, com um resultado de 72,1% dos votos ante 27,88% de Bolsonaro. Em Pernambuco, Lula teve 1,8 milhão de votos a mais, com 66,9% do total de votos a 33,07% do então presidente.
A vantagem de Lula nos Estados nordestinos junto com a redução da diferença em relação a Bolsonaro em Estados como São Paulo, na comparação com 2018, ajudaram na vitória do petista. Em São Paulo, o PT reduziu a desvantagem de 8 milhões de votos em 2018 para 2,6 milhões em 2022, no segundo turno.
Agora, a campanha de Flávio tenta diminuir a desvantagem no Nordeste e ampliar os votos em Estados das regiões Sul e Sudeste.
No Ceará, a pesquisa mais recente do Datafolha, do início do mês, mostra Lula com 52% das intenções de voto no Estado, ante 21% de Flávio. O percentual de intenções de voto registrado é menor do que o obtido por Lula no primeiro turno de 2022, quando recebeu 65,91% dos votos (e 69,9% no segundo turno).
Lula aposta nos palanques dos candidatos a governo de Estados do Nordeste para tentar barrar o avanço bolsonarista. No entanto, a campanha do petista teme a desmobilização da base em um eventual segundo turno da campanha presidencial, se a disputa em Estados estratégicos como Ceará, Bahia e Pernambuco terminar no primeiro turno, como indicam as pesquisas de intenção de voto.
Líder nas pesquisas no Ceará, o candidato Ciro Gomes (PSDB) rompeu com Lula, mas não aderiu à campanha de Flávio, apesar de o PL participar de sua chapa. Nos dois dias em que Flávio esteve no Ceará, Ciro não participou de eventos da campanha do presidenciável nem tirou fotos ou gravou vídeos com o senador. Em julho, quando o senador esteve no Estado, o candidato do PSDB também o evitou. “Nós estamos em uma democracia. Esse Estado aqui é libertário, gosta de receber todo mundo”, desconversou Ciro, ao ser questionado por jornalistas sobre sua ausência nos eventos de Flávio.
O material de campanha de Ciro tem as imagens de Lula em parte da propaganda e de Flávio, em alguns adesivos e panfletos.
A equipe de Ciro busca o voto “CiroLula”, apesar de o presidente apoiar a reeleição do atual governador, Elmano de Freitas (PT). Lula foi ao Estado no começo do mês e deve voltar no fim da próxima semana, perto do primeiro turno.
Em Pernambuco, os dois candidatos que lideram a disputa, a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e o ex-prefeito João Campos (PSB), apoiam Lula. O presidente resistia a ir ao Estado para não desagradar os aliados, mas deve ir na próxima semana, para subir no palanque de Campos.
Na Bahia, o presidente apoia a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que está em uma disputa acirrada contra o ex-prefeito ACM Neto. Apesar de ACM Neto declarar voto em Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial, aliados do candidato ao governo trabalham pelo voto casado estadual com Lula e evitam vincular a imagem do candidato a Flávio.
Em outra frente, o presidente tem reforçado as agendas no Sudeste, no Rio, em Minas Gerais e em São Paulo, os três maiores colégios eleitorais do país, onde Flávio aparece numericamente à frente no segundo turno, segundo pesquisa Quaest da semana passada.
Na quinta-feira, Lula deve ir às cidades mineiras de Teófilo Otoni e Montes Claros, em sua terceira visita ao Estado em menos de um mês. O petista enfrenta um cenário acirrado em Minas. Segundo pesquisa Quaest divulgada no dia 8, Flávio tem 40% dos votos no segundo turno e Lula, 37% no Estado. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos.
Na sexta-feira (18), o presidente estará pela manhã, em agenda oficial do governo, no Rio de Janeiro, e à tarde em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. No Rio, Flávio tem 43% das intenções de voto ante 37% de Lula, no segundo turno. A pesquisa tem margem de erro de três pontos. Em São Paulo, Flávio lidera no segundo turno com 41% a 33% de Lula, em pesquisa com margem de erro de dois pontos.




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