Dribles em chapas e gols em telhas: artista transforma momentos do futebol em grafites Futebol e grafite: o que pode aproximar dois universos tão diferentes? Pensando nas memórias que os dois são capazes de criar, um artista de Sorocaba (SP) decidiu transformar gols, defesas, ídolos e momentos históricos do esporte em pinturas com estética de rua, levando para os muros cenas que, para muitos torcedores, ficaram marcadas para sempre. Cabeçada do Zidane no Materazzi, grito de "gol" em saíd

Dribles em chapas e gols em telhas: artista transforma momentos do futebol em grafites Futebol e grafite: o que pode aproximar dois universos tão diferentes? Pensando nas memórias que os dois são capazes de criar, um artista de Sorocaba (SP) decidiu transformar gols, defesas, ídolos e momentos históricos do esporte em pinturas com estética de rua, levando para os muros cenas que, para muitos torcedores, ficaram marcadas para sempre. Cabeçada do Zidane no Materazzi, grito de "gol" em saídas de esgoto, Memphis Depay subindo na bola ou o Edílson Capetinha fazendo embaixadinhas. No Dia Nacional da Arte, celebrado nesta quarta-feira (12), o g1 conversou com o artista sorocabano que, desde os anos 1990, ocupa a cidade com imagens emblemáticas do futebol, transformando lembranças em registros eternos. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Enquanto muitos artistas urbanos desenvolvem personagens próprios ou utilizam o grafite para fazer críticas sociais, Francisco Almeida, conhecido como "Gol Grafite", escolheu o esporte como principal linguagem. Em suas obras, o futebol é o ponto de partida, mas a pintura procura preservar características da arte urbana. "Eu pinto lances de futebol, mas procuro deixar com uma aparência de grafitti, street art, algo voltado para a rua. Tem gente que nunca compraria um quadro, mas se interessou porque lembrou de um lance, uma defesa ou um gol do seu time. Por outro lado, há pessoas que gostam de arte e se interessam pela estética do trabalho, mesmo sem conhecer o lance que foi pintado", explica. LEIA TAMBÉM Artista renomado pinta sonho do hexa em Itu, no estádio que revelou Martinelli Palhaços, magos e bruxas? Conheça a simbologia por trás das alcunhas que dominam o funk De Nilton Santos a Araken Patusca: fã vende coleção de livros com autógrafos de jogadores da Seleção Brasileira após tratamento de câncer DR. Sócrates, Rogério Ceni e o Rei Pelé são retratados na artes do "Gol Grafite" Reprodução/golgraffiti Jogada na memória A escolha do futebol não acontece apenas pela importância de uma partida ou pela fama de determinado jogador. Para Gol, um lance pode carregar uma história muito maior do que os poucos segundos registrados em uma transmissão. Uma defesa pode lembrar uma final. Um gol pode trazer de volta a infância. Uma camisa pode fazer alguém se lembrar do pai. É essa relação afetiva que o artista procura preservar. "Essas imagens falam sobre lembranças, reuniões, uma família assistindo a uma final de campeonato do seu time. Lembra quando jogava bola na rua. As pessoas que se interessam sempre falam: 'Lembrei desse lance' ou alguma coisa assim", conta Gol. O objetivo, portanto, não é apenas reproduzir uma fotografia; é transformar a imagem em um gatilho para uma lembrança. "O esporte é algo positivo, mas também tem os momentos de revolta e treta. Há momentos que dão alegria ao povo. Acho legal a parte da dedicação e superação e vejo isso na hora de escolher um lance e transformar em um quadro", afirmou. Memphis Depay e Rony "Rústico" são retratados na artes do "Gol Grafite" Reprodução/golgraffiti Da rua para os gramados O grafite, linguagem que hoje ocupa muros, galerias, museus e grandes espaços públicos, tem uma trajetória diretamente ligada à rua. A manifestação ganhou força em Nova York a partir dos anos 1970 e, no Brasil, desenvolveu características próprias, especialmente em São Paulo, onde artistas como Alex Vallauri tiveram papel importante na consolidação da linguagem. A relação de Gol com essa estética também começou pela observação da cidade. Antes de transformar jogadores e partidas em pintura, ele já olhava para os muros e para os trabalhos de outros artistas. A memória da infância também está ligada a essa mistura. Quando acompanhava o pai aos estádios em São Paulo, o caminho até o futebol já era acompanhado por outra forma de expressão. "Quando criança, eu ia com meu pai aos estádios para assistir a jogos em São Paulo e, no caminho, já ia observando graffiti pelo caminho. Então, para mim, acabou fazendo sentido", lembra. Dribles em chapas metálicas e gols em telhas de zinco: artista sorocabano transforma momentos do futebol em grafites Reprodução/golgraffiti A estética das ruas não está apenas na tinta. Chapas metálicas e telhas de zinco são alguns dos materiais pouco convencionais utilizados pelo artista para transportar o futebol para fora dos muros. Algumas dessas telhas são aquelas utilizadas como tapumes em terrenos e construções. Depois de receberem tinta, ganham uma nova função: tornam-se suporte para momentos esportivos. "Telhas de zinco usadas como tapumes em terrenos ou construções sempre ficam boas com graffiti. As mesmas latas de tinta que uso no graffiti depois corto, emolduro e faço uma pintura, um lance de futebol sobre elas. Acho que dá uma cara diferente ao trabalho. É futebol, mas tem a estética da rua", explica. A escolha dos materiais ajuda a manter uma característica importante da obra. Mesmo quando sai do muro e chega a um espaço interno, o trabalho continua carregando a aparência de uma intervenção urbana. Dribles em chapas metálicas e gols em telhas de zinco: artista sorocabano transforma momentos do futebol em grafites Reprodução/golgraffiti Futebol nos grandes murais A ideia de levar o esporte para a arte urbana não é exclusiva de Gol. Um exemplo recente apareceu justamente no interior de São Paulo. Em junho, o renomado artista plástico Kobra pintou no Estádio Novelli Júnior, em Itu (SP), um mural de aproximadamente 150 metros quadrados inspirado no sonho do hexacampeonato mundial. A obra, chamada "Esperança", mostra uma criança e a expectativa pela sexta estrela da Seleção Brasileira. A escolha do estádio também tem relação com o futebol: foi ali que Gabriel Martinelli, atacante da Seleção, iniciou a carreira. Kobra pinta sonho do hexa no Novelli Júnior, estádio onde Martinelli iniciou a carreira Reprodução/Instagram Em publicação nas redes sociais, Kobra explicou que a obra chamada "Esperança" é inspirada na forma como as crianças vivem uma Copa do Mundo, alimentando a esperança de comemorar um título. E, caso o hexa não venha na próxima Copa, ele espera que essa mesma paixão possa inspirar futuros jogadores da Seleção a realizar esse sonho. A imagem esportiva pode ganhar outra dimensão quando ocupa um espaço público. Em vez de permanecer restrita ao campo ou à televisão, ela passa a fazer parte da paisagem. É uma lógica semelhante à que Gol procura construir em escala própria: transformar aquilo que aconteceu durante uma partida em algo permanente. Artista sorocabano transforma momentos do futebol em grafites Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM