Requerimento da gestora americana Centaurus acontece às vésperas de julgamento do caso pela CVM
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22.ago.2026 às 18h05
O fundo Josephina 3, da gestora americana Centaurus Capital, entrou neste sábado (22) com um pedido de arbitragem contra a gestora Latache na câmara da B3, a Bolsa de Valores do Brasil.
O requerimento busca evitar a realização de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição de Ações) da Oncoclínicas e acontece às vésperas do julgamento sobre o caso pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
O fundo é hoje um dos principais acionistas da Oncoclínicas e está no centro do imbróglio envolvendo a operação.
Estimada em mais de R$ 6 bilhões, a oferta pública foi solicitada após uma reestruturação societária que revelou a participação da Centaurus no negócio. Antes, a gestora americana tinha participação na Oncoclínicas por meio de um fundo encabeçado pelo Goldman Sachs.
Em 2024, houve um desmembramento em dois fundos: um do Goldman e outro da Centaurus (Josephina 3). Foi nesse momento que a gestora apareceu publicamente no negócio, com pouco mais de 16%.
Em junho deste ano, o fundador e ex-CEO da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, apresentou à CVM o pedido de OPA, argumentando que a Centaurus não constava entre os acionistas relevantes antes da abertura de capital da companhia na Bolsa (IPO), feita em 2021.
O estatuto da Oncoclínicas tem uma poison pill (cláusula de proteção) determinando que investidores que atinjam uma participação superior a 15% depois do IPO façam uma OPA, oferta pública para comprar as ações de outros acionistas. O valor da aquisição, segundo o documento, precisa corresponder a 120% da maior cotação do papel nos 12 meses anteriores ao evento que gerou o gatilho.
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Na prática, o processo obriga a Centaurus a pagar um prêmio pelas ações. Isso eleva o desembolso da gestora e pode beneficiar acionistas que queiram vender sua participação por um preço maior.
Cláusulas desse tipo servem para proteger os minoritários da concentração gradual de participação sem pagamento de prêmio.
A Latache seria uma das principais beneficiadas. A gestora tem hoje uma participação de cerca de 15% e liderou o movimento pela OPA.
A CVM marcou o julgamento do caso para a próxima terça (25). A área técnica da comissão se manifestou contra a OPA, mas pessoas com conhecimento do processo acreditam que o colegiado tem maioria para se posicionar de forma favorável.
O pedido de arbitragem da Centaurus a poucos dias do julgamento sinaliza pessimismo em relação ao resultado. Pessoas ligadas ao procedimento afirmam, porém, que a arbitragem seria acionada de qualquer forma, pois está prevista no estatuto.
Procurados, o fundo Josephina 3 e a Oncoclínicas disseram que não vão se manifestar. A Latache não respondeu.




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