Jornalista foi premiada com ensaio sobre os bastidores do julgamento da trama golpista

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24.jul.2026 às 23h54 Atualizado: 25.jul.2026 às 8h24

A repórter-fotográfica Gabriela Biló, da Folha, ganhou o prêmio Gabo de Jornalismo na categoria fotografia. A premiação foi anunciada neste sexta-feira (24), em Bogotá, na Colômbia.

Biló concorreu com o trabalho "Como sobrevivem as democracias", ensaio com os bastidores do julgamento que resultou na condenação, em 2025, do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

O ensaio acompanha a movimentação no STF (Supremo Tribunal Federal) e registra personagens que atuaram dentro e fora do plenário, compondo um retrato visual de um dos momentos mais simbólicos da democracia brasileira recente.

Segundo os jurados, "ainda que a democracia seja uma ideia abstrata e difícil de representar" o trabalho torna isso possível. "A composição das fotos é irretocável."

Fotojornalista em Brasília, Biló está na Folha desde 2022. Já publicou os livros "Juízo Final: Tentativa e Fracasso do Golpe no Brasil", que reconstrói a trama golpista até o julgamento, e "A Verdade vos Libertará", ambos em parceria com Pedro Inoue e com a equipe do podcast "Medo e Delírio em Brasília".

O prêmio foi criado pela Fundação Gabo, instituição fundada pelo escritor e jornalista colombiano Gabriel García Márquez (1927–2014), vencedor do Nobel de Literatura. Nessa edição, o Brasil liderou a lista de indicados, com 16 trabalhos entre os 50 escolhidos a partir de 1.915 inscrições.

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Dentre os vencedores das demais categorias, estão dois veículos brasileiros.

Em cobertura, os jornalistas Renan Porto e Artur Rodrigues, do Metrópoles, venceram pelo especial "A política da bala: vítimas desarmadas e/ou mortas pelas costas alavancam a letalidade da Polícia Militar em São Paulo".

A TV Globo venceu a categoria imagem com o documentário "Terceirão: um ano, quatro vidas". O filme acompanhou jovens que estão no último ano do ensino médio e foi produzido por Caio Cavechini, Eliane Scardovelli, Claudio Guterres, Mayara Teixeira, Clarissa Cavalcanti, Fátima Baptista, Fernando Ianni, Rodrigo Funai, Marion Lemonnier, Caue Angeli, Netim Andrade, Marcos Gomes, Andrey Frasson e João Rocha.

Já os repórteres Óscar e Carlos Martínez, do veículo de mídia salvadorenho El Faro, conquistaram o prêmio na categoria texto pelo trabalho "El exilio nos alcanza". A reportagem retrata, do ponto de vista dos próprios jornalistas, o exílio forçado que os salvadorenhos devem passar sob o regime de Nayib Bukele e o custo humano da repressão do mandante.

A apresentadora Isabel Cadenas Cañón do podcast De Eso no se Habla, produzido pela rede de difusão de barcelona EITB, venceu na categoria áudio com a série de oito episódios "Se llamaba como yo", que conta a história de uma mulher que herdou o nome da irmã assassinada durante um atentado na Espanha na década de 1960.

Por fim, a jornalista Catalina Gómez Ángel, correspondente freelancer em Teerã, venceu a categoria de reconhecimento por sua cobertura latinoamericana de guerras no mundo.