Após mais de uma década do primeiro trabalho de estúdio, o grupo As Ganhadeiras de Itapuã lança, no próximo dia 27 de julho, o álbum "Samba de Mar Aberto".O projeto celebra 22 anos de trajetória do coletivo e reafirma sua atuação na preservação da cultura popular baiana e da memória das mulheres negras de Itapuã.O lançamento será acompanhado por uma transmissão ao vivo, às 17h, que reunirá integrantes do grupo, produtores, músicos e parceiros.Serão apres
Após mais de uma década do primeiro trabalho de estúdio, o grupo As Ganhadeiras de Itapuã lança, no próximo dia 27 de julho, o álbum "Samba de Mar Aberto".
O projeto celebra 22 anos de trajetória do coletivo e reafirma sua atuação na preservação da cultura popular baiana e da memória das mulheres negras de Itapuã.
O lançamento será acompanhado por uma transmissão ao vivo, às 17h, que reunirá integrantes do grupo, produtores, músicos e parceiros.
Serão apresentado os bastidores da gravação, o processo de criação das músicas e os preparativos para o show oficial de lançamento, previsto para outubro, na nova sede das Ganhadeiras, em construção nas proximidades da Lagoa do Abaeté, em Salvador.
Com produção musical de Alê Siqueira e direção musical de Amadeu Alves, "Samba de Mar Aberto" propõe um diálogo entre diversas manifestações musicais presentes na cultura afro-brasileira e nordestina.
Segundo Amadeu Alves, o conceito do álbum busca valorizar a identidade musical das comunidades litorâneas da Bahia.
"O samba de mar aberto é o sotaque, o jeito e a identidade da música de beira de praia nessa região da Bahia. Ele dialoga com outras matrizes do samba baiano, mas incorpora também ritmos como ciranda, maracatu, frevo, toques de terreiro e blocos afros", afirma o diretor musical.
O produtor geral Edvaldo Borges, que divide a produção com Jenner Salgado e Salviano Filho, explica que o nome escolhido simboliza justamente essa diversidade.
"No Samba de Mar Aberto cabe a ciranda, o maracatu, o samba de roda, a música religiosa, reggae, baião, xote, ijexá, salsa e até música clássica. É como se o mar fosse um grande caldeirão onde diferentes sonoridades convivem naturalmente."
Além de marcar a chegada do álbum às plataformas digitais, a transmissão ao vivo servirá para apresentar detalhes do processo criativo da obra.
Durante o encontro, o público poderá conhecer como ocorreu a escolha do repertório, a elaboração dos arranjos, a preparação vocal das integrantes e as parcerias que contribuíram para a construção do projeto.
O disco também reúne um projeto gráfico desenvolvido pela Editora Solisluna, fotografias de Ricardo Martins, texto de apresentação de Danilo Barata e capa criada por Dona Edsoleda Santos, artista de Itapuã com mais de 80 anos, responsável também por ilustrações presentes no Museu Virtual Casa de Ganho.
Formado por mulheres, crianças e músicos da comunidade, o grupo nasceu com o propósito de preservar as tradições das antigas ganhadeiras. Eram mulheres negras que trabalhavam comercializando alimentos, peixes e outros produtos pelas ruas de Salvador e desempenharam papel importante na formação econômica e cultural da cidade.
Ao longo das apresentações, o coletivo mistura música, dança e teatro para revisitar histórias do bairro de Itapuã por meio de cantigas, sambas de roda, cirandas e outras manifestações populares transmitidas entre gerações.
O trabalho também incorpora elementos contemporâneos sem perder a ligação com a ancestralidade afro-brasileira.
As Ganhadeiras de Itapuã acumulam reconhecimento nacional desde o lançamento do primeiro álbum, em 2014.
No ano seguinte, conquistaram duas categorias do Prêmio da Música Brasileira: Melhor Grupo Regional e Melhor Álbum de Música Regional. Também receberam o Prêmio Caymmi de Música e participaram da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Em 2019, lançaram o DVD Uma História Cantada e, no Carnaval de 2020, a trajetória do grupo inspirou o enredo da Unidos do Viradouro, campeã do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro após 23 anos.
Entre os projetos mais recentes está o Museu Virtual Casa de Ganho, inaugurado em 2021, dedicado à preservação da memória das Ganhadeiras e da cultura de Itapuã. Nos últimos dois anos, o grupo também realizou uma turnê por capitais brasileiras, com apresentações em Recife, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
A gravação de "Samba de Mar Aberto" foi contemplada pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) na Bahia, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e do Ministério da Cultura.




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