Seminário ArresalaGazeta do Povo vai a evento do Irã e do PT no Brasil e mostra como é o aliciamento de apoiadoresPor Luis Kawaguti

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleEvento começou com a recitação do Alcorão e também teve a presença do sheik Hossein Khaliloo (Foto: Reprodução / YouTube / Arresala)Ouça este conteúdo

O governo do Irã está aumentando a presença informacional no Brasil por meio de alianças com políticos do PT, influenciadores, jornalistas e veículos de comunicação com tendências de esquerda. A Gazeta do Povo acompanhou um evento de apresentação de jornalistas e influenciadores digitais arregimentados para viajar a Teerã e falar sobre o regime no Brasil.

A reportagem apurou que o 1º Seminário Geopolítico Arresala faz parte de um esforço iraniano de conquistar simpatizantes brasileiros. O discurso difundido pelos participantes é que os brasileiros estariam sendo enganados pela narrativa da "grande imprensa ocidental" e que seria necessário deter o que chamam de "imperialismo americano".

A organização do evento era da editora Arresala, que se define em página própria no Facebook como o Centro Islâmico no Brasil (CIB), "entidade social e religiosa sem fins lucrativos que tem como foco de trabalho a divulgação da religião islâmica através de variados projetos sociais e educativos".

As páginas oficiais da Arresala não deixam claro, no entanto, quais são as delimitações da relação com o Consulado Cultural da República Islâmica do Irã, ligado à Embaixada do país em Brasília.

Em julho, jornalistas e influenciadores viajaram ao Irã para testemunhar o funeral do aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio israelense. O convite e, sobretudo, o financiador da viagem não ficou claro nas notícias publicadas pelos veículos sobre o tema.

A Gazeta do Povo encontrou em um post no Instagram da TVT que uma jornalista estava "no Irã a convite da Arresala, Centro Islâmico no Brasil." A TVT é mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em parceria com o Sindicato dos Bancários.

Esses influenciadores participaram do seminário para contar o que viram no Irã. Os palestrantes foram o jornalista e comentarista do Brasil 247 Joaquim de Carvalho, o jornalista Tom Altman, CEO do site Opera Mundi, a jornalista e comentarista da TVT Laura Capriglione e o influenciador do canal Arte da Guerra, Robinson Farinazzo.

O seminário ocorreu na noite desta sexta-feira (28) em um hotel nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Ele teve cobertura da HispanTV Brasil, canal de comunicação estatal do governo do Irã. A guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã completou seis meses na sexta-feira (28) e foi o principal tema. Embora o conflito esteja em um impasse, os debatedores tentaram explicar como os Estados Unidos estão sendo derrotados.

O evento foi aberto ao público e os interessados eram recebidos por uma mulher vestida com trajes muçulmanos e um hijab cobrindo os cabelos e o pescoço. Ela convidava as pessoas a preencherem seus dados em uma lista antes de entrar.

Nos materiais de divulgação do evento, apareciam lado a lado os logotipos do deputado estadual Mário Maurici, do Consulado Cultural da República Islâmica do Irã - Brasília; do 247; do Opera Mundi; da HispanTV Brasil; do Instituto de Amizade Brasil-Irã; e da Arresala Notícias.

Com cerca de 150 pessoas, o evento lançou o Grupo de Amizade Brasil-Irã, com a presença de jornalistas, religiosos e apoiadores que pretendem difundir a cultura do Irã no Brasil. O grupo é coordenado pelo deputado estadual do PT, Mário Maurici, no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Entre o público, havia diversas mulheres jovens e de meia idade usando o hijab, algumas com vestidos longos de tecido fino e bordado. No salão era possível sentir odor de perfumes sofisticados e ouvir música árabe ambiente tocando ao fundo, como que convidando os presentes a uma imersão no universo do Irã.

À frente da plateia, um telão exibia conteúdos complementares às falas dos convidados. Uma bandeira do Irã estava disposta à esquerda do telão, em posição oposta a uma bandeira do Brasil.

Por um período, o xeique Hossein Khaliloo, teólogo islâmico iraniano, recebia e cumprimentava os convidados que chegavam. Além de banners com informações sobre o seminário, havia ao fundo da sala duas mesas.

Uma delas exibia materiais impressos de divulgação do evento e do Irã, como um folheto voltado a crianças e outro voltado ao turismo. Na outra, estavam dispostos diversos livros da editora Arresala.

Quem é Mojtaba Khamenei, escolhido como novo líder supremo do IrãEvento tem exaltação a potencial bélico do Irã, que colocou os “Estados Unidos de joelhos”A abertura do 1º Seminário Geopolítico Arresala foi feita por Nasser Khazraji, diretor da Arresala e do Centro Islâmico no Brasil, que chamou um recitador para “leitura de alguns versos do Alcorão Sagrado”. Na sequência à recitação, Nasser anunciou: “Sejam todos bem-vindos em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, e chamou o xeique Hossein Khaliloo para discursar.

Coordenador do Grupo de Amizade Brasil-Irã, o deputado estadual Mário Maurici (PT) enviou um vídeo no qual se desculpou por não estar presente devido à campanha eleitoral. Ele defendeu a aproximação da causa com a Assembleia Legislativa de São Paulo e o multilateralismo e criticou o que chamou de interferências externas em assuntos de interesse do Brasil.

“Essa defesa também passa pela nossa posição diante do imperialismo e do sionismo”, afirmou Maurici, ao criticar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e parlamentares aliados por posições contrárias às que defende.