Um novo personagem da ultradireita italiana vem conquistando espaço entre eleitores e passou a representar um problema para a primeira-ministra Giorgia Meloni. Leia mais (06/27/2026 - 06h00)
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Um novo personagem da ultradireita italiana vem conquistando espaço entre eleitores e passou a representar um problema para a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Em fevereiro, Roberto Vannacci, ex-general do Exército, deixou a coalizão que sustenta o governo Meloni para lançar seu próprio movimento político, de olho na eleição prevista para 2027. Ele saiu da Liga, partido do vice-premiê Matteo Salvini, para fundar o Futuro Nacional, uma direita "de verdade", "convicta" e "pura".
Entre as diretrizes da nova legenda, estão a exaltação da identidade italiana, da família com filhos de "um homem e uma mulher" e da remigração, com a deportação forçada de estrangeiros.
Nas últimas semanas, Vannacci esteve em manchetes nacionais por declarações homofóbicas, machistas e xenófobas. Disse ser contrário ao crime de feminicídio, que entrou no ano passado no Código Penal italiano. Sobre direitos LGBTQIA+, afirmou: "Não entendo por que o fruto de uma orientação sexual –e, portanto, de um gosto pessoal– deveria gerar direitos".
Desde fevereiro, o Futuro Nacional sobe nas pesquisas de intenção de voto. Registrou 5,3%, segundo pesquisa divulgada na última segunda-feira (15). Com isso, está em empate com a Liga, sua antiga sigla. Também já atraiu oito parlamentares de partidos governistas.
Sua saída da coalizão significou a primeira rachadura no bloco de sustentação do governo Meloni. Com quatro partidos, a coalizão soma hoje 41,5% nas pesquisas. A oposição formada pela centro-esquerda e o Movimento Cinco Estrelas tem 41,9%.
O percentual de Vannacci pode desfalcar o desempenho da coalizão na votação, ainda sem data para ocorrer no ano que vem. É evidente a intenção dele de atrair votos dos eleitores mais radicais da direita, em parte desiludidos com o tom moderado adotado por Meloni no poder.
"Vannacci é um problema para a coalizão de direita, se conseguir levar adiante seu movimento. Porque haverá um mais à direta que rouba votos e a enfraquece", diz à Folha o cientista político Piero Ignazi, professor aposentado da Universidade de Bologna, que classifica o ex-general como extrema direita.
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Até aqui, Meloni tem, segundo bastidores publicados na imprensa italiana, rejeitado a ideia de aceitar o partido de Vannacci na composição de um eventual futuro governo. Ela, que começou na política em uma sigla com raízes no pós-fascismo, se posicionou como conservadora desde que foi eleita, em 2022.
A carreira de Vannacci, 57, na política começou depois de um livro autopublicado em 2023. Lançado e comercializado por meio do site Amazon, "Il Mondo al Contrario" (o mundo de cabeça para baixo, em italiano) é uma coleção de insultos racistas e homofóbicos em quase 400 páginas, ao preço de 20 euros.
"Caros homossexuais, vocês não são normais, aceitem isso! Não apenas a natureza demonstra isso, ao permitir que os seres saudáveis ‘normais’ se reproduzam, mas a sociedade também: vocês representam uma minúscula minoria", escreveu.
Em referência a uma das melhores jogadoras de vôlei da história do país, comentou: "Paola Egonu tem a cidadania italiana, mas é evidente que seus traços somáticos não representam a italianidade". Egonu é negra, nascida na Itália de genitores nigerianos.


