Principais candidatos ao Senado são entrevistados pelo Terra e apresentam propostas e prioridades para um eventual mandato

Geraldo Rufino (Podemos), candidato ao Senado por São Paulo, defende que seja pautado o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), considera sua falta de experiência na política como um diferencial positivo e quer a redução da maioridade penal atrelada ao que chamou de "redução da maioridade profissional". Em entrevista ao Terra, o empresário também falou sobre suas prioridades em um eventual mandato, entre elas a pauta da ampliação das oportunidades de trabalho e falicitações para o empregador. 

Com um discurso de "ser a voz do povo" e sem se posicionar com relação a onde está no espectro político, Rufino deu suas opiniões sobre temas em debate nessa corrida eleitoral.

Confira os principais pontos da entrevista:

Para Geraldo Rufino, pautar o impeachment de ministros no Supremo Tribunal Federal --que atravessa uma crise sem precedentes-- é algo “que já deveria ter acontecido, até por respeito aos senadores” e vê o movimento como uma forma de retomar o equilíbrio. “O Senado tem essa responsabilidade de criar esse equilíbrio e isso não está acontecendo”, afirma. Se eleito senador, em uma eventual situação do tipo, ele diz que votaria a favor. A declaração foi concedida ao Terra no último dia 14 de setembro, antes do julgamento de Alexandre de Moraes, que terminou sem uma definição sobre uma possível investigação do ministro por elo com Daniel Vorcaro, do Banco Master. 

Em paralelo, o próximo presidente eleito poderá indicar ao menos três ministros por conta da aposentadoria compulsória de 75 anos – o que atinge Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. E há também a cadeira vaga de Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente e que Lula teve sua indicação, de Jorge Messias, rejeitada pelo Senado. Quem deve ocupar essas cadeiras? 

Para Rufino, com relação ao fato de que a única mulher no Supremo deixará a Corte, é justo que haja mais mulheres ocupando esses espaços. Para além disso, o que ele defende é que todos os indicados passem a ser necessariamente juízes de carreira como forma de “evitar que a política entre no STF”.

“Eu acho que o STF tinha que ser apolítico, ele não tinha que ser político, ele tinha que ser juiz [de carreira]. Juiz tem que ser imparcial, e quando tem indicação política, acaba a imparcialidade. É por isso que nós estamos assistindo o cenário que está aí hoje” – Geraldo Rufino

Rufino não tem experiência política em um cargo eletivo. Empresário, ele se lançou como político na eleição de 2018, como deputado federal por São Paulo, e acabou como suplente. Por que o eleitor paulista deve o escolher para o Senado em meio a uma eleição em que essas cadeiras estão entre as mais disputadas? 

Para o candidato, isso é um ponto positivo: “A única coisa que eu não quero é experiência política. É a experiência política é que está fazendo as pessoas trocarem de cadeira, e mais do mesmo [...] Nós precisamos aproximar o Senado do povo. O povo não conhece o Senado e o Senado não conhece o povo, porque eles estão vivendo da experiência política”, explica.

Na política, Rufino foi um dos nomes cotados para ser vice-candidato de Romeu Zema (Novo) na busca pela Presidência da República nesta eleição --e, no fim, o escolhido foi o senador Eduardo Girão. Ele diz que não se arrepende da forma como as coisas se desenrolaram e reafirma seu respeito a Zema.

“Com o Zema, como vice, você não tem muita opção, você fica nos bastidores. E no Senado você tem oportunidade de realmente representar as pessoas e tem oportunidade de fazer mudanças que melhoram a vida das pessoas. [...] Como eu estou indo para servir, eu acredito que eu consiga servir muito melhor no Senado do que em qualquer outra cadeira" --Geraldo Rufino

Rufino não respondeu claramente sobre sua posição política --se é mais alinhado à direita, ao centro ou à esquerda. Segundo ele, ele está indo contra a polarização e afirma ser contra a criação de muros que estabeleçam “lado de cá” e “lado de lá”. “Eu estou indo lá para derrubar o muro.”

“Estou alinhado com o povo. Sabe aquela coisa que o pessoal fala, que você tem Deus no coração? Eu não acredito que esse poder que nós temos de ser um filho de Deus deva ser usado nunca para separar ninguém. Nós precisamos de todo mundo. Então eu estou indo lá para poder servir o povo, para servir o brasileiro, e não lado A ou lado B”, complementa.

São Paulo bateu recorde de feminicídios em 2025. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), de janeiro a dezembro foram 270 ocorrências --o equivalente a uma mulher assassinada a cada 32 horas no Estado. O que fazer para mudar isso? O caminho, para Rufino, é primeiramente fazer com que as leis “cheguem na ponta” --como com relação ao funcionamento de delegacias com atendimento 24 horas voltados ao acolhimento de mulheres.

“O Senado tem condição de trazer recursos para que o Estado consiga fazer isso funcionar. E fiscalizar, porque não adianta só mandar o recurso. Precisa fiscalizar para que isso aconteça e a lei já existe. Se nós fossemos fazer uma lei nova, até que essa lei acontecer, muitas pessoas seriam agredidas e perderiam a vida. Então, nós não podemos nos dar o luxo de fazer leis novas. Precisa fazer funcionar a que está aí” - Geraldo Rufino

Para ele, o que falta é potencializar as garantias de oportunidade de trabalho e renda a mulheres vítimas de violência, pensando em liberdade financeira.

O Congresso tem discutido sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, e o assunto também se faz presente nas campanhas eleitorais deste ano. Rufino se declara a favor da redução, mas muda o foco da questão para a necessidade daquilo que chama de uma “redução da maioridade profissional”.

“Eu comecei a trabalhar com 13. A maioria da minha família começou com 14 e teve carteira registrada com 14. E com 15 a gente já tinha independência financeira. Como hoje a lei se alterou e isso só pode como menor aprendiz, e como esse sistema não tem oportunidade para todos, as crianças ficam vulneráveis de 14 a 15 anos quando poderiam ajudar a família. Eles [crianças e adolescentes] são brilhantes, sabem lidar com tecnologia, eles podiam trabalhar home office... A única exigência é estar estudando. Eu acho que esse sistema de menor aprendiz tinha que ser estendido, mas ele tinha que ter a liberdade do empregador contratar o jovem diretamente”, explica.

Nisso, ele complementa que chegando aos 16 anos, abaixando a maioridade penal, a pessoa poderia começar a responder por um crime. “Nós vamos diminuir a violência com certeza, porque ele [o jovem de 14 anos que começa a trabalhar] já achou um caminho muito antes.”

"A melhor maneira de você firmar a maioridade penal é se, antes, você der a oportunidade para o jovem, para ele nem ter essa opção [do crime] de escolha" – Geraldo Rufino