Tradição na grade da Globo, o programa Central da Copa se propõe a resumir, de forma descontraída, os principais acontecimentos do dia no Mundial. Na versão de 2026, a atração é comandada por um trio formado pelo jornalista Tadeu Schmidt, o comediante Fabio Porchat e a jogadora Tamires. Leia mais (06/28/2026 - 19h36)

Jornalista e crítico de TV, autor de "Topa Tudo por Dinheiro". É mestre em sociologia pela USP

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28.jun.2026 às 19h36

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Tradição na grade da Globo, o programa Central da Copa se propõe a resumir, de forma descontraída, os principais acontecimentos do dia no Mundial. Na versão de 2026, a atração é comandada por um trio formado pelo jornalista Tadeu Schmidt, o comediante Fabio Porchat e a jogadora Tamires.

O programa está especialmente estranho neste ano. Num estúdio gigantesco, quase inteiramente vazio, os três se mostram perdidos, abandonados, comentando e fazendo piadas protocolares sobre jogos, lances e gols. O espaço ocioso parece gritar que está faltando alguma coisa ali.

Essa desproporção entre o gigantismo aparente do estúdio e o conteúdo insosso do Central da Copa é exemplar dos problemas que a Globo está vivenciando neste Mundial. Pela primeira vez, a emissora enfrenta uma concorrência dura e não dispõe de armas adequadas para enfrentá-la.

Por economia, a Globo reviu em 2022 o acordo que tinha com a Fifa por todos os direitos da Copa até 2030. A emissora abriu mão da exclusividade em plataformas digitais e comprou os direitos de exibição de apenas a metade dos jogos do Mundial de 2026.

O corte de custos se revelou erro estratégico no médio prazo. Entre as consequências, abriu espaço para a agência LiveMode, que comprou as 104 partidas desta Copa para exibição na CazéTV, no YouTube.

A cobertura que a Globo se orgulha de fazer desde 1970 sofreu um abalo significativo. Tanto pelo que expõe quanto pelo que esconde, a emissora está deixando claro que sentiu o golpe.

Ainda que exiba números bem robustos de audiência, a Globo empurrou milhões de espectadores, jovens e não tão jovens, para uma plataforma digital concorrente. Por outro lado, adotou a postura de minimizar a importância dos acontecimentos ocorridos fora do seu espectro de cobertura.

É sintomático que os telejornais da emissora divulguem diariamente uma "Agenda Globo" da Copa, e não a agenda completa dos jogos. Na quarta (24), dia de Brasil x Escócia, por exemplo, houve seis jogos no Mundial, mas a agenda do jornal Hoje só expôs os dois que a emissora exibiria.

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Na partida, o narrador Everaldo Marques se viu obrigado a ler mensagens provocativas, típicas de criança chateada, sobre a concorrente CazéTV, cuja transmissão tem delay de quase 15 segundos: "No jogo do Brasil ninguém quer gritar gol atrasado. Fique antenado".