Projeto na região metropolitana de Natal custará R$ 1 bi, e Huawei receberá R$ 1,28 bi em quatro anos com contrapartidas
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20.ago.2026 às 18h05 Atualizado: 20.ago.2026 às 19h46
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (20) um pacote de investimentos de R$ 2,5 bilhões para ampliar a infraestrutura necessária para desenvolver e treinar modelos de inteligência artificial no país.
Segundo pronunciamento do presidente no Parque Tecnológico de Macaíba, a 30 quilômetros de Natal, o governo planeja a compra de um supercomputador, que será instalado na região metropolitana da capital potiguar, a implantação de uma infraestrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, em parceria da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) com o gigante chinês Huawei, e a estruturação de uma nuvem brasileira, com computadores no Brasil e controle sobre o software.
A decisão de alocar a máquina no Nordeste e de fazer uma parceria com a China foi antecipada pela Folha. Quando justificou a escolha do local, Lula disse: "Eu não tenho nada contra o Sul, nem contra o Sudeste".
"Mas não é justo colocar todo o investimento onde já está toda riqueza", emendou.
Os recursos já estão garantidos no FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), por meio do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia).
A União destinará cerca de R$ 1 bilhão ao edital de compra do supercomputador, R$ 1,27 bilhão ao longo de quatro anos a um centro de computação avançada no Rio e R$ 125 milhões ao desenvolvimento de chips livres de patente.
O pacote ainda inclui investimento de R$ 50 milhões em um Centro de Transparência Algorítmica, comandado por pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) a fim de produzir análises de risco e falha dos modelos de IA disponíveis no mercado, aos moldes do que existe na Europa.
O último anúncio é uma parceria com empresas de tecnologia para a chamada "nuvem brasileira", ainda sem indicação de custo no orçamento.
O governo já investiu mais de R$ 1 bilhão na instalação de servidores de nuvem, fornecidos pelas big techs e sob o controle do Serpro e da Dataprev. A ideia é que esses servidores, usados na infraestrutura de computação pública, passem a ser fabricados no Brasil e usem software compartilhado com a União.
O anúncio de Lula ocorre cinco dias após a Reuters revelar uma operação da Casa Branca para isolar a China no desenvolvimento de IA. O governo de Donald Trump deve alertar 35 países, incluindo o Brasil, que os excluirá de uma coalizão liderada pelos EUA para distribuição de investimentos em tecnologia.
"Fazer parte de tudo é não fazer parte de nada. A assinatura da Declaração Pax Silica não é uma mera adesão, mas um compromisso", diz a carta, vista também pela Folha. O documento insta os países a "escolher deliberadamente" um lado quando o assunto é IA.
"Hoje os Estados Unidos têm 65% de toda essa coisa de inteligência artificial. A China deve ter uns 15% ou 30%. Mas nem chinês nem americano é melhor do que nós, nós vamos entrar nesse mercado", disse Lula no evento.
A Reuters publicou o conteúdo do documento quatro dias depois de o presidente Lula dizer que o Brasil não está pronto para disputar tecnologicamente nem com americanos nem com chineses. Ele diz querer os dois países "conosco".
Em entrevista à Folha na semana passada, a ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, reconheceu que o governo terá de lidar com "incertezas e riscos" na compra dos supercomputadores.




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