O Brasil decidiu expulsar do país Sergey Vladimirovich Cherkasov — um suposto espião russo que está preso em Brasília desde 2022.

O Brasil decidiu expulsar do país Sergey Vladimirovich Cherkasov — um suposto espião russo que está preso em Brasília desde 2022 — e enviá-lo de volta à Rússia, segundo decisão publicada na segunda-feira (6/7) no Diário Oficial da União.

A medida, contudo, só será cumprida após o fim da pena à qual ele foi condenado no Brasil ou mediante liberação pelo Poder Judiciário. Ainda não há previsão sobre quando a decisão será executada.

A suspeita de que o Brasil estava sendo usado como uma espécie de "berçário" de espiões russos voltou à tona no ano passado após a publicação de uma reportagem do jornal norte-americano The New York Times.

Segundo o jornal, uma investigação liderada pela Polícia Federal brasileira identificou pelo menos nove supostos espiões russos que usaram documentos brasileiros como parte dos seus disfarces. A informação foi confirmada na época pela BBC News Brasil.

Parte deste caso foi revelado pela BBC News Brasil em reportagens entre os anos de 2022 e 2024.

Com base em documentos e depoimentos colhidos ao longo de meses, a BBC News Brasil revelou, por exemplo, como a Rússia orquestrou uma operação diplomática para tentar retirar um dos seus supostos espiões da prisão e levá-lo de volta ao seu país natal.

Fontes ligadas à investigação disseram à BBC News Brasil que, dos nove supostos espiões russos identificados até o ano passado, apenas um continua em solo brasileiro: Sergey Cherkasov. E foi com ele que essa intrincada rede de disfarces veio à tona e começou a ruir.

Uma rede que, segundo as investigações, utilizava disfarces inusitados. Um dos supostos espiões teria atuado como dono de uma joalheira em Brasília, outro teria sido um estudante apaixonado por forró enquanto uma outra teria atuado como modelo.

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Em abril de 2022, Sergey Cherkasov foi detido em Amsterdã, na Holanda, quando tentava entrar no país e mandado de volta ao Brasil.

Ele se apresentava como o brasileiro Victor Muller Ferreira e havia sido aprovado em um programa de estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.

As investigações conduzidas por holandeses, americanos e brasileiros apontam que Cherkasov era um agente do GRU, um dos serviços de inteligência das Forças Armadas russas.

Devolvido ao Brasil, Cherkasov foi preso, processado e condenado a 15 anos de prisão no Brasil por uso de documento falso. Sua pena, no entanto, foi reduzida para cinco anos. Ele hoje se encontra preso em uma penitenciária federal, em Brasília. No processo, ele admitiu ter se passado por brasileiro, mas sempre negou ser um espião.

Poucos meses depois, em novembro de 2022, a polícia norueguesa prendeu outro "brasileiro".

Seu nome era José de Assis Giammaria, mas as autoridades do país europeu afirmam que ele se chamava, na verdade, Mikhail Mikushin e seria um espião russo infiltrado em uma universidade na região do Ártico, na fronteira entre Noruega e Rússia.

O terceiro caso surgiu pouco depois, no final de 2022, quando uma brasileira reportou o desaparecimento de seu namorado, o também "brasileiro" Gerhard Daniel Campos.

As autoridades, no entanto, alegaram que Campos, seria na realidade outro espião russo chamado Artem Shmyrev. Ele deixou o Brasil pouco antes de a Polícia Federal deflagrar uma operação para prendê-lo e nunca mais foi visto.

A reportagem do The New York Times do ano passado listava outras seis pessoas que teriam usado documentos brasileiros como parte de seus disfarces: Yekaterina Leonidovna Danilova, Vladimir Aleksandrovich Danilov, Olga Igorevna Tyutereva, Aleksandr Andreyevich Utekhin, Irina Alekseyevna Antonova e Roman Olegovich Koval.

Utekhin, por exemplo, segundo as investigações, se disfarçava em Brasília como empresário do ramo de joias.