Se expectativa se confirmar, alguns setores podem ser atingidos por penalidade acumulada de 37,5%
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23.jul.2026 às 17h10
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a investigação dos Estados Unidos sobre trabalho forçado deve resultar na soma de tarifas aplicadas contra o Brasil. A decisão, prevista para esta quinta-feira (23), pode culminar em uma taxa acumulada de 37,5% para alguns setores e produtos.
Nas conclusões preliminares da investigação sobre práticas de trabalho forçado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) propôs uma tarifa de 12,5% –em substituição a cobranças globais de 10% que irão expirar. A União Europeia e mais 59 países, incluindo o Brasil, são alvo desta medida.
O Brasil, contudo, já está sujeito à aplicação de uma sobretaxa de 25%. A sanção, que entrou em vigor na última quarta (22), atinge milhares de produtos brasileiros, mas isenta itens estratégicos para a pauta exportadora, como carne bovina e café.
Os documentos divulgados até o momento não esclarecem se as duas penalidades serão ou não somadas. Além disso, a decisão final sobre a aplicação das tarifas cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump. Ainda assim, integrantes do governo brasileiro ouvidos pela Folha sob condição de anonimato esperam que as taxas sejam cumulativas.
A dúvida, segundo esses interlocutores, é se a lista preliminar de exceções da investigação sobre trabalho forçado será ou não mantida na decisão final. Podem ser poupados da tarifa adicional de 12,5% itens como carnes bovinas, frutas tropicais, castanhas, café, chá, mate, especiarias, cacau, sucos. O USTR também propôs um mecanismo específico para têxteis e vestuário, que permitiria um determinado volume de importações com taxa reduzida.
Uma vez anunciada a decisão dos americanos, o governo brasileiro prevê fazer um cruzamento de dados dos segmentos que serão poupados em cada uma das investigações para, então, calcular quais produtos podem ficar submetidos à taxa acumulada de 37,5%.
Em junho, uma autoridade brasileira em Washington alertou que a inclusão do Brasil na lista de economias que não proíbem efetivamente a importação de bens produzidos com trabalho forçado cria risco reputacional e comercial ao país.
"O tema pode afetar a percepção sobre cadeias produtivas brasileiras, especialmente em setores com exposição a debates internacionais sobre rastreabilidade, sustentabilidade, conformidade trabalhista e due diligence [diligência prévia]", disse.
Além disso, ressaltou que a medida tem caráter transversal e pode gerar aumento de custo para importadores americanos e perda de competitividade para exportadores brasileiros.
Nesta quarta, o governo reembalou o plano Brasil Soberano e anunciou R$ 18,5 bilhões em recursos para ajudar empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Além de R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional –valor referente a sobras da primeira etapa, de agosto do ano passado, e à renegociação de dívidas rurais– haverá um aporte de R$ 5 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados.
O plano prevê beneficiar três grupos de segmentos da economia. No primeiro grupo, serão atendidos os setores afetados pelo tarifaço, como aço, alumínio, móveis, madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, plástico, calçados, papel e açúcar.
No segundo, estão inseridos setores estratégicos, como minerais críticos e fertilizantes. No terceiro, será beneficiado quem exporta para a região do Golfo Pérsico.



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