Nova fase do programa permitirá que União adquira carteiras de débitos de até R$ 10 mil em leilões e repasse a vantagem aos devedores
25.09.2026 - Presidente da Rep..blica, Luiz In..cio Lula da Silva, durante an..ncio de novas medidas econ..micas, em S..o Paulo - SP..Foto: Ricardo Stuckert. - (crédito: Foto: Ricardo Stuckert.) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (25/9) uma Medida Provisória (MP) que cria a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, o Desenrola 3.0. A nova etapa prevê que a União compre, por meio de leilões, carteiras de dívidas inadimplentes de até R$ 10 mil, com desconto de 90%, e repasse integralmente a vantagem aos devedores.
Siga o canal do Correio Braziliense no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular.
A estimativa do governo é de que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis para a compra, com potencial de beneficiar até 15 milhões de pessoas.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
A principal mudança em relação às fases anteriores está no modelo de operação. Em vez de o devedor procurar individualmente uma instituição financeira para negociar, o Governo Federal fará a aquisição das carteiras de dívidas em leilões.
Leia também: Apostas geram custo social de R$ 38,8 bilhões por ano, diz ministro da Saúde
Depois da compra, o devedor poderá quitar à vista o valor restante, mantendo o percentual de desconto obtido pela União, ou parcelar o saldo remanescente. As condições para o parcelamento ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Ao explicar a nova dinâmica, Lula afirmou que o programa amplia a atuação do Estado na solução do endividamento das famílias. “É importante lembrar que é um Desenrola melhor do que os outros”, disse o presidente. Segundo Lula, a principal diferença em relação às fases anteriores está justamente na iniciativa da renegociação. “No outro, as pessoas tiveram que individualmente procurar um banco. Agora é o governo que vai comprar dívida e acertar a vida das pessoas”, afirmou.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, relacionou a nova etapa do programa ao impacto do endividamento sobre as famílias e a economia. Ao defender a utilização do poder de compra do Estado para enfrentar o problema, ele citou também as dívidas associadas às apostas. “Se a dívida, inclusive em função das bets, é um problema real na sociedade, para a economia brasileira, nada mais justo e correto do que colocar o poder de compra do Estado a serviço da redução, da reestruturação das dívidas dessas famílias”, afirmou.
Moretti destacou que a operação poderá alcançar R$ 150 bilhões em dívidas. “Estamos falando de limpar dessa carteira R$ 150 bilhões em dívidas. É forte, é potente para que essas famílias possam recomeçar”, disse.
O custo máximo para a União adquirir as carteiras será de R$ 15 bilhões, considerando o deságio mínimo de 90%. Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual de 2027 e 2028.
Segundo o ministro, a mudança também busca enfrentar uma dificuldade das negociações tradicionais, nas quais o próprio devedor precisa procurar o banco e obter condições para reestruturar o débito. “Em vez de cada pessoa ir ao banco, a gente sabe que as pessoas têm dificuldade de serem atendidas, conseguirem reestruturar suas dívidas, aqui é o Estado, é o governo federal que vai estar garantindo esse processo de um desconto, pelo menos, de 90% da dívida dessas famílias”, afirmou.
A Medida Provisória será publicada em setembro de 2026 e altera a Lei nº 14.690/2023. O cronograma prevê a publicação do chamamento para entrega de propostas em novembro. Em dezembro, os credores deverão apresentar as propostas.
A homologação das propostas selecionadas está prevista para janeiro de 2027. Em fevereiro, deverão ser assinados os contratos e iniciado o repasse do deságio aos devedores, que poderão optar pela quitação à vista ou pelo parcelamento do saldo.
Saiba Mais Política Apostas geram custo social de R$ 38,8 bilhões por ano, diz ministro da Saúde Política Entenda a MP das bets e os prazos para apostadores resgatarem dinheiro Cidades DF Com doença rara, morador do DF cria vaquinha para buscar tratamento em SP
Jornalista de economia no Correio Braziliense desde 2020. Finalista do Prêmio CNT de Jornalismo (2024 e 2025) e vencedora do Prêmio ABF Destaque Franchising 2025, conta histórias que aproximam o leitor da economia do país.



0 Comentário(s)
Deixe seu comentário