O Brasil flerta com a imprudência ao combinar o descontrole fiscal com uma necessária política de juros altos Leia na Gazeta do Povo.

Por Carlos Rodolfo Schneider

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleCom menor receita no Orçamento de 2027 após proibição das bets, governo Lula avalia elevar impostos para compensar perda de R$ 5,3 bilhões (Foto: André Borges/EFE)Ouça este conteúdo

Como bem aponta Márcio Garcia, professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio, o Brasil parece flertar com a imprudência na medida em que combina o descontrole fiscal com uma necessária política de juros altos para conter a inflação, sinalizando uma explosão da dívida pública.

Explicitamente, o caminho escolhido para um pretenso ajuste foi o da receita, e não o das despesas, que são nosso grande problema fiscal, de acordo com Marcos Mendes, economista do Insper, que acrescenta: “não dá para esperar muito vindo de um governo que acha que gastar mais vale a pena.”

Insistimos nos atalhos, nas soluções políticas mais fáceis e mais convenientes, desprezando o que deu certo ou não em outros países e o impacto das nossas escolhas na produtividade e competitividade

Desde o início do atual governo, temos visto forte trabalho para aumentar a arrecadação fiscal. O Ministério da Fazenda, na prática, se transformou no Ministério da Arrecadação, empenhado em cobrar mais impostos para cobrir aumento de gastos sociais, alguns legítimos, mas muitos eleitoreiros e políticos.

Sob o pretexto de justiça tributária, o governo tem extraído mais e mais recursos de quem poupa e de quem produz, para custear o seu projeto político, com a conivência de um Congresso que negocia a liberação de emendas parlamentares e um Judiciário que defende um orçamento generoso e a blindagem contra o impeachment dos membros da mais alta corte.

Imposto é o principal inimigo do BrasilInsistimos nos atalhos fiscais, nas soluções políticas mais fáceis e mais convenientes, desprezando o que deu certo ou não em outros países e o impacto das nossas escolhas na produtividade e competitividade, talvez inebriados pelo tamanho e riquezas do país. Haja vista o avanço da proposta para reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários, o que impacta diretamente a já sofrida produtividade do trabalho no país.

Parece que Brasília vive em outra realidade. O mundo não perdoa quem fica deitado em berço esplêndido.

Carlos Rodolfo Schneider é empresário.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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