As fortes altas dos mercados financeiros desencadeadas por eleições em toda a América Latina começam a exibir suas fragilidades -despertando dúvidas entre investidores sobre se devem continuar impulsionando ações e moedas ou vender os papéis para realizar lucros, à medida que as promessas de campanha passam a esbarrar nas dificuldades de governar. Leia mais (10/18/2026 - 23h00)

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

18.out.2026 às 23h00

Edição Impressa Diminuir fonte

Vinícius Andrade Carolina Wilson Maria Elena Vizcaino

As fortes altas dos mercados financeiros desencadeadas por eleições em toda a América Latina começam a exibir suas fragilidades —despertando dúvidas entre investidores sobre se devem continuar impulsionando ações e moedas ou vender os papéis para realizar lucros, à medida que as promessas de campanha passam a esbarrar nas dificuldades de governar.

Na Colômbia, após a vitória do presidente Abelardo de la Espriella no primeiro turno, em maio, a moeda disparou, os rendimentos dos títulos despencaram e as ações subiram mais de 20% em relação às mínimas.

Mas, apenas dois meses após sua posse, os ganhos perderam força, enquanto o líder de direita enfrenta o que seus assessores classificaram como a pior crise fiscal do país desde o século 19.

No Chile, perdeu fôlego a disparada que levou as ações a níveis recordes após a eleição, há 11 meses, do presidente ultradireitista Jose Antonio Kast.

As dificuldades dos líderes de extrema direita no Peru, no Equador e na Argentina para preservar a popularidade e levar adiante suas agendas servem de alerta aos investidores que vêm apostando no Brasil, fazendo as ações subirem mais de 20% desde meados de agosto, na expectativa de que Flávio Bolsonaro derrote o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição deste mês.

Alguns gestores, entre eles o fundo de hedge Frontier Road, de Londres, e a Fidelity International, reduziram a exposição à região. Outros mantêm a aposta. Eric Fine, da VanEck, que mantém sua posição de maior sobreponderação em títulos da dívida brasileira denominados em moeda local, vê espaço para novos ganhos, mas teme que eles sejam limitados pelos desafios fiscais do país.

"Há, sem dúvida, riscos de que essa euforia inicial dê lugar à desilusão", comentou Matthew Graves, gestor de portfólio da PPM America, em Los Angeles. "Essas foram ‘eleições de mudança’, motivadas mais pela rejeição ao status quo do que necessariamente por um apoio expressivo a algo como a austeridade fiscal."

Por mais de um ano, operadores investiram em ativos de toda a América Latina, aproveitando avaliações atraentes na expectativa de que o descontentamento com governos de esquerda levasse a uma guinada política à direita, semelhante à que conduziu Javier Milei ao poder na Argentina há três anos.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

A especulação levou um índice MSCI que acompanha as ações latino-americanas a acumular alta superior a 70% desde o início do ano passado e transformou os títulos da dívida da Bolívia e do Equador em alguns dos ativos de melhor desempenho entre os mercados emergentes.

Mas o entusiasmo que impulsionou esses ganhos começa a desaparecer. Os títulos em dólar do Equador e do Peru —países que elegeram presidentes Daniel Noboa e Keiko Fujimori, ambos favoráveis ao mercado nos últimos anos— caíram mais de 3% nos últimos três meses.

Martin Bercetche, gestor de portfólio com foco em crédito da Frontier Road, reduziu quase todo o seu investimento na América Latina depois de ter mantido uma visão "muito otimista" sobre a região por mais de 18 meses, devido às mudanças políticas em curso.

"Essa tese, em grande parte, já se concretizou", disse Bercetche. "Continuamos gostando do Equador, pois acreditamos que os spreads de lá ainda oferecem valor, mas, fora isso, nossa exposição é muito pequena", complementou.