Quando a China apresentou o GPMI, poucos acreditariam que pudesse ameaçar o domínio do HDMI e DisplayPort. Pouco mais de um ano depois, já existem normas, chips e produtos comerciais, colocando a China na...
18 Ago 2026 · Hardware 10 Comentários
Quando a China apresentou o GPMI, poucos acreditariam que pudesse ameaçar o domínio do HDMI e DisplayPort. Pouco mais de um ano depois, já existem normas, chips e produtos comerciais, colocando a China na dianteira desta nova tecnologia.
Em abril de 2025, falámos no Pplware sobre o GPMI, ou General Purpose Media Interface, uma tecnologia criada pela Shenzhen 8K UHD Video Industry Cooperation Alliance, que reúne dezenas de empresas chinesas.
Na altura, os números chamavam imediatamente a atenção: até 192 Gbps de largura de banda e capacidade para fornecer 480 W através do mesmo cabo. Na prática, a ideia é transportar vídeo, áudio, dados, sinais de controlo e energia através de uma única ligação.
A grande diferença é que, desde então, o GPMI começou efetivamente a chegar ao mercado.
À esquerda: HDMI Type A, o HDMI convencional usado em televisores, consolas, boxes e outros equipamentos. Tem 19 pinos e o característico formato trapezoidal. EIZO À direita: DisplayPort, muito comum em computadores, placas gráficas e monitores. Tem 20 pinos e distingue-se pelo formato mais rectangular com um dos cantos cortado.
Em julho de 2026 entraram oficialmente em vigor na China seis normas industriais relacionadas com GPMI. Mais importante ainda, dados divulgados pela indústria indicam que, já em abril, as entregas de televisores equipados com chips compatíveis com GPMI se aproximavam de um milhão de unidades.
Isto coloca a tecnologia numa fase completamente diferente. Já não estamos perante uma especificação à procura de fabricantes.
GPMI: o que oferece esta tecnologia?
O GPMI foi concebido para transportar através do mesmo cabo vídeo, áudio, dados, sinais de controlo, rede e alimentação elétrica. O Type-B utiliza oito canais de alta velocidade e permite alterar a direção dos canais, possibilitando diferentes combinações de largura de banda de envio e receção.
Para comparação, o HDMI 2.2 chega aos 96 Gbps, enquanto o DisplayPort 2.1 UHBR20 atinge 80 Gbps. A grande diferença do GPMI está, portanto, não apenas na velocidade máxima, mas na tentativa de concentrar várias funções numa única ligação.
Um exemplo concreto desta evolução é a Haier Q60C, uma gama de televisores disponível em versões de 55, 65 e 75 polegadas e já comercializada no mercado chinês.
A ligação GPMI permite, por exemplo, ligar diretamente um smartphone ao televisor através de USB-C, transmitir imagem 4K, trocar dados e simultaneamente alimentar o dispositivo ligado. A ideia começa aqui a mostrar aquilo que poderá diferenciar o GPMI.
Em vez de termos uma ligação para vídeo, outra para dados e eventualmente outra para alimentação, um único cabo poderá assumir todas estas funções.
A GPMI Tipo C suporta largura de banda ultra-alta de 144 Gbps e alta capacidade de fornecimento de energia de 480 W, permitindo a comunicação bidirecional de sinais de áudio, vídeo, dados e controle entre dispositivos, além de suportar redes mesh de até 128 nós.
Umgrande fabricante chinês de eletrónica de consumo, a Skyworth Digital, deu outro passo importante ao lançar aquilo que descreve como o primeiro micro set-top box plug-in baseado em GPMI.
Não se trata apenas de um protótipo. No relatório anual de 2025, a própria Skyworth confirma o lançamento e revela que participa no programa da Administração Nacional de Rádio e Televisão chinesa para implementar estes pequenos equipamentos numa escala de dezenas de milhões de unidades.
O ecossistema está também a alargar-se a televisores, monitores, computadores, projetores e outros dispositivos.
Talvez ainda mais importante seja aquilo que está a acontecer dentro dos equipamentos.
A HiSilicon já possui o Hi3781V610, um SoC destinado a ecrãs 4K que integra nativamente GPMI.




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