Leandro Grass: “Todos aqueles que quiserem tirar Brasília desse momento horrível, e quiser nos apoiar, vamos acolher” Brenno Crvalho/Agência O Globo O candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, prometeu divulgar o balanço financeiro do Ban…

O candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, prometeu divulgar o balanço financeiro do Banco de Brasília (BRB) e fazer uma auditoria independente na instituição caso seja eleito. O petista descartou a privatização da estatal e disse que pretende discutir a situação da instituição com o Banco Central (BC) e o governo federal. Em sabatina na terça-feira (15) realizada pelo Valor, O Globo e CBN, Grass também defendeu tarifa zero no transporte público todos os dias e disse que vai reduzir a fila na saúde com contratações emergenciais de médicos e enfermeiros.

“A primeira coisa que eu vou fazer é aumentar a transparência e mostrar o balanço [do BRB]. Depois, vamos sentar com o Banco Central e com o governo federal”, disse Grass. “Como um banco está buscando quase R$ 7 bilhões e não apresenta sequer seus dados?”, questionou.

O BRB ainda não divulgou o balanço financeiro de 2025, previsto inicialmente para 31 de março deste ano. O Valor mostrou que o banco perdeu 791,9 mil clientes bancários em nove meses, queda de 8,1% entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026.

Os últimos dados públicos disponíveis, de setembro do ano passado, mostram que o BRB tinha R$ 53,004 bilhões em depósitos e outros R$ 12,625 bilhões em Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). O Ministério da Fazenda já estimou publicamente em cerca de R$ 17 bilhões o impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de quebra do banco.

Sobre o BRB, o petista disse ainda que não pretende privatizá-lo por considerar que um banco público “só tem sentido se ele cumprir um papel de fomento econômico”. Segundo Grass, falta crédito para comerciantes do Distrito Federal.

A gente sabe como o bolsonarismo trata Brasília. Foi aqui que a pandemia se espalhou” Ele também rebateu a cobrança da governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, para que procurasse o governo federal em busca de ajuda para destravar um empréstimo para o BRB. Para o petista, a falta de transparência da atual gestão impede qualquer negociação. “Qual o plano que ela apresentou? Celina está enrolando a população. Por que até agora não publicou [o balanço]?”, questionou.

Outra prioridade de um possível governo petista seria implementar gradualmente a tarifa zero no transporte público ao longo de quatro anos. Segundo ele, a medida custaria cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. A proposta prevê a gratuidade todos os dias, enquanto atualmente os passageiros não pagam aos domingos.

“Vou relicitar os contratos das empresas de ônibus e remodelar a quantidade de linhas e implementar tarifa zero ao novo modelo de remuneração das próprias empresas”, afirmou.

Para suprir a demanda por melhoria no transporte urbano, prometeu a ampliação da malha ferroviária em diferentes formas. “É mais barato e mais rápido implementar outro sistema de trilhos do que o metrô em si, o que eu proponho é trem e VLT [Veículo Leve sobre Trilhos], tanto para a Asa Norte quanto para outras áreas”, disse.

Os investimentos, segundo ele, poderiam ser bancados com recursos públicos, financiamentos de bancos públicos e parcerias público-privadas (PPPs). O candidato também citou o uso de ativos fundiários e imobiliários do Distrito Federal para atrair recursos privados.

De olho em outro problema crônico, o candidato do PT prometeu reduzir as filas no sistema de saúde com a contratação emergencial de médicos e enfermeiros. Sua meta, declarou, é estabelecer “prazo máximo de 30 dias para a realização de exames e consultas”.

Na área fiscal, Grass disse que pretende revisar as renúncias concedidas a grandes empresas, sem eliminar os benefícios de forma geral. A ideia é verificar se os incentivos estão de acordo com a lei e se o retorno para a população justifica a perda de arrecadação. “Hoje, o DF deixa de arrecadar R$ 13 bilhões de grandes empresas que nem sempre geram tantos empregos”, acusou.

Para elevar a arrecadação sem aumentar impostos, Grass defendeu ainda a revisão de despesas e o corte de cargos comissionados em administrações regionais, acusando a atual gestão de usá-las como instrumento político.

O candidato também apontou recursos federais como uma das alternativas para ampliar os investimentos no DF. Segundo ele, quase R$ 3 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados à capital ainda não foram implementados.

A aproximação com o governo federal foi apresentada por Grass, ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como uma das principais fontes de recursos para o DF. Questionado sobre uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que manterá parcerias com qualquer presidente eleito, mas fez uma ressalva: “Mas a gente sabe como o bolsonarismo trata Brasília. Foi aqui que a pandemia se espalhou”.

Nas pesquisas mais recentes, Celina aparece na liderança, enquanto o petista está numericamente em terceiro, em empate técnico com o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). O registro de candidatura de Arruda foi indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), e ele recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em um eventual segundo turno, Grass não fechou a porta para uma composição com Arruda. “Todos aqueles que quiserem tirar Brasília desse momento horrível, de pior lugar do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], do maior tempo de espera na saúde, e quiser nos apoiar, vamos acolher”, disse.