Milhares de pessoas no protesto pela habitação em Lisboa pedem uma greve geral. O secretário-geral da CGTP-IN admite que todas as formas de luta estão em ci...

Presente na manifestação em Lisboa, o secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, admite que todas as formas de luta estão em cima da mesa, mas defende que nem todas "passam por uma greve geral".

Numa altura em que milhares de pessoas de todas as idades ocupam a Avenida da Liberdade, em Lisboa, num protesto que pede uma greve geral pela habitação, Tiago Oliveira assume que se justifica o "aumento da luta", mas considera que uma "greve geral tem de se construir para garantir o seu êxito e nem todas as formas de luta passam por uma greve geral".

"Todas as formas de luta estão em cima da mesa, temos é de construir passo a passo e uma greve geral não se constrói sem garantir o seu êxito", explicou, em declarações à RTP Notícias.

"O principal apelo que está presente nesta manifestação de hoje é combater as desigualdades, responder àqueles que são os anseios de quem trabalha, de quem perspectiva uma vida melhor, nomeadamente no acesso à habitação, nomeadamente a resposta no que diz respeito aos salários, que são baixos, ao brutal aumento do custo de vida", prosseguiu. "Aquilo que está a preocupar a juventude, aqueles que trabalham, é que nós vemos no nosso dia a dia as dificuldades a crescer e não há resposta para essas dificuldades. E aquilo que estes homens e mulheres estão hoje aqui a transmitir é que esperam do Governo uma política concreta que responda à crise da habitação, à crise do aumento do custo de vida, à crise da especulação, à crise dos combustíveis..."

"É isso que a CGTP tem dito vezes sem conta: nós temos um Governo completamente afastado da realidade", criticou ainda.

Centenas de manifestantes estão hoje nas ruas em Lisboa, em resposta ao protesto convocado para hoje pela Acampada, para exigir habitação digna para todas as pessoas.

"A habitação é um direito, casas são para viver" é a frase inscrita num cartaz que resume as reivindicações que têm levado às ruas milhares de pessoas.

Entre os manifestantes está gente de todas as idades.

Estas manifestações por melhores condições de vida e habitação digna começaram no Porto, no dia 10, com dezenas de tendas montadas na Praça D. João I.

Na madrugada do dia 15 uma carga policial naquela praça causou perto de 40 feridos e obrigou ao desmantelamento da Acampada.

Já em Lisboa a Acampada instalou-se na Praça D. Pedro IV a seguir à manifestação organizada pela CGTP no dia 17 e aí permaneceu até à intervenção policial na madrugada da passada terça-feira, na qual a polícia desmontou tendas, deteve 55 pessoas e apreendeu bens dos ativistas.

Na sexta-feira, a Acampada de Lisboa decidiu, em assembleia popular, voltar a montar tendas hoje, depois da manifestação, que terminará no Rossio.

Acompanhe aqui AO MINUTO os protestos que decorrem em várias cidades do país pelo direito à habitação.