Antigo treinador do Manchester City recorreu às redes sociais para tomar uma posição no escândalo do momento em Inglaterra. Pep Guardiola garante continuar ...

Pep Guardiola quebrou, esta quarta-feira, o silêncio sobre o escândalo que envolve o Manchester City, considerado culpado de todas as acusações relacionadas com "graves violações" das regras financeiras da Premier League ao longo de nove temporadas. 

O antigo treinador dos cityzens recorreu às redes sociais para expressar o seu total apoio ao clube, dizendo estar ao lado de "dono, presidente, jogadores, equipa técnica e adeptos". 

"Quero que todos os adeptos do Manchester City, em qualquer parte do mundo, saibam que estou aqui; mais do que nunca", começou por escrever Guardiola, no Instagram. 

"Estou, sempre estive e sempre estarei, ao lado do meu clube, do meu proprietário, do meu presidente, do Ferran, dos jogadores, da equipa técnica, do Enzo e de vocês, os nossos adeptos únicos. Quero ser claro: vamos ultrapassar isto juntos. Amo-vos a todos", acrescentou.

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Uma comissão independente da Premier League considerou, na terça-feira, que os cityzens são culpados de 115 irregularidades financeiras relativas ao período entre a temporada de 2008/09 e 2017/18.

A comissão considera que o City "negociou acordos comerciais fraudulentos com vários dos seus patrocinadores durante o período em questão, como parte de um esquema de financiamento disfarçado", sendo que, nesse esquema, "as empresas pagavam apenas uma parte das taxas de patrocínio, enquanto o restante era financiado pelo Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG), proprietário do clube".

Além disso, foram feitos "outros acordos fraudulentos, também financiados pelo ADUG, firmados para permitir que o clube registasse despesas operacionais menores do que as reais, bem como um acordo fraudulento com a Fordham, entidade que adquiriu os direitos de imagem dos jogadores do clube, também financiado pelo ADUG".

O caso tem deixado Inglaterra ao rubro e várias figuras históricas da Premier League a exigirem a aplicação de um castigo exemplar, que pode até passar pela descida de divisão ou dedução de pontos. 

Roy Keane, lenda do Manchester United, mostrou-se bastante revoltado com o sucedido e deixou um conselho aos jogadores e antigos jogadores do clube: as medalhas de campeão devem ir para o caixote do lixo. 

"Eles sabiam que isto iria magoar muitas pessoas, mas fizeram-no na mesma. Se eu fosse jogador do City, deitava todas aquelas medalhas para o lixo sem pensar duas vezes. Claro que o faria. É batota. Ganharam-nas dentro do campo porque houve batota", afirmou Keane, na antena da ITV, após a vitória de Inglaterra diante da República Checa (2-0), na Liga das Nações. 

Por sua vez, Ian Wright, figura de alta relevância no Arsenal, também se mostrou bastante desagradado, pedindo um "castigo sem precedentes" para o Manchester City e defendendo ainda que o maior lesado será sempre o Liverpool. 

"Disseram-lhes que não estava a acontecer nada de errado, mas se fores jogador, percebes que alguma coisa não está bem. É algo sem precedentes e triste para todos. Os proprietários e aquilo que fizeram... é terrível", lamentou Wright, também na ITV. 

"É necessária uma punição sem precedentes. É um dia muito importante para a Premier League. É uma situação muito complicada. Para eles, é um problema terem de ir a Liverpool no próximo jogo. Na altura, o Liverpool era a equipa que os perseguia. Vejam aquilo por que Jürgen Klopp passou para os conseguir destronar. Provavelmente, isso acabou por o destruir", defendeu o antigo internacional inglês. 

A defesa apresentada pelo City

Apesar do veredicto da Premier League, o Manchester City garante estar "inocente das acusações feitas" e assegura ter em sua posse "um conjunto abrangente de provas irrefutáveis, que sustentam todas as posições relativas a este caso".

"O processo da Premier League continua em andamento, com elementos significativos ainda por concluir. O Manchester City FC irá agora recorrer das vias legais disponíveis, com base no facto de a decisão conter erros materiais evidentes, tanto de direito como de princípio e de facto, e ser, portanto, insegura", explicou o City.

Os cityzens, que podem recorrer até sexta-feira, 2 de outubro, indicam ainda que estão "limitados em relação ao que se pode declarar até que todos os procedimentos futuros sejam concluídos".

[Notícia atualizada às 14h15]