Para Eloísa Machado, timing eleitoral com que o inquérito do Master tem promovido decisões de Moraes e Mendonça é grave. 'A gente está saindo ali do espaço de apuração de condutas individuais e transformando o próprio tribunal e as suas competências em algo c…
Role, Da BBC News Brasil em São PauloPublished 9 setembro 2026Tempo de leitura: 11 minA crise aprofundada no Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a uma campanha acirradíssima para decidir o próximo presidente da República, pode transformar o Judiciário em um elemento interferente nestas eleições, assim como aconteceu durante a Operação Lava Jato.
Esse receio é de Eloísa Machado, professora de direito constitucional e coordenadora do projeto de pesquisa Supremo em Pauta na FGV Direito SP.
"A gente já viu o estrago que isso causou, não só para a própria investigação como para a integridade das instituições democráticas. E, aparentemente, a gente tem o risco de cair nisso novamente", avaliou Machado em entrevista à BBC News Brasil.
A professora, que comparou a atuação do ministro André Mendonça na relatoria do caso do Banco Master com a condução do ex-juiz e senador Sérgio Moro (PL-PR) na Lava Jato, diz que o timing político das últimas decisões no caso é capaz de causar danos ao processo eleitoral.
"O que me preocupa mais, sendo muito sincera, é menos as condutas que serão apuradas individualmente de cada um [os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes], mas mais a transformação de investigações em armas políticas."
Machado também não poupa críticas à forma como os dois ministros têm conduzido os processos relacionados ao caso dentro do STF.
"Tanto André Mendonça quanto Alexandre de Moraes têm agido em busca de uma preservação de sua imagem, de seus interesses mais subjetivos, pessoais. A gente não pode permitir que a autodefesa individual acabe fragilizando a maneira como o tribunal vai se posicionar em relação a essa crise", criticou.
Na terça-feira (8/9), Mendonça escalou ainda mais a crise ao pedir o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.
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O estopim da crise começou na semana passada, quando Mendonça, relator do inquérito do Banco Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reunia informações sobre as interações entre Vorcaro e um número salvo com o nome do ministro Alexandre de Moraes.
Os diálogos mostram que o banqueiro cobrava atenção especial aos pagamentos do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Moraes então reagiu e pediu ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que analisasse acusações contra o colega da Corte por irregularidades na condução de inquéritos.
O pedido era baseado em relatórios de inteligência da PF que, segundo ele, indicariam que Mendonça teria cometido, "em tese", improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade, além de ter comprometido a "imparcialidade judicial" e favorecido "determinados grupos políticos" ao atuar como relator de casos envolvendo o escândalo do INSS e o Banco Master.
Posteriormente, Fachin retirou a análise contra Mendonça do caso do âmbito do inquérito das Fake News e solicitou formalmente esclarecimentos a Moraes e Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de Andrei Rodrigues.
"A a gente está num cenário em que ministros estão se acusando mutuamente de conduta inapropriada em relação a essa investigação. Nenhum dos dois pode estar tomando decisões em relação a esse caso", avalia Machado.
"E foi o que o ministro Edson Fachin fez, dizendo ser preciso tomar medidas institucionais. Isso foi solenemente ignorado por André Mendonça, que, de certa maneira, quer continuar nessa toada de um desgaste individual. Me parece um pouco uma toada de quanto pior, melhor. "
Para a professora, a única saída do STF é institucional, passando por sessões no plenário da Corte. Mas "Fachin tem que se apressar nessa resolução, conversar com seus colegas e chegar a um termo em que isso pode ser feito", avalia.
Leia os principais trechos da entrevista de Eloísa Machado à BBC News Brasil:
BBC News Brasil - Professora, o ministro Edson Fachin havia, inicialmente, aberto um prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues apresentassem manifestações sobre tudo que tem sido revelado. Mas, antes disso, veio mais um capítulo na terça, com a nova decisão monocrática de Mendonça afastando o diretor da PF. O que é que esse episódio sobre a dimensão dessa crise do STF? Está ainda mais difícil resolvê-la?




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