O secretário-geral da ONU voltou hoje a pedir "máxima contenção" diante do conflito no Médio Oriente, enfatizando a necessidade, no caso iraniano, de uma ...
Num discurso na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que reúne líderes da China, Rússia, Irão, Índia e Turquia, entre outros, no Quirguistão, António Guterres enfatizou os "efeitos de longo alcance" dos conflitos no Médio Oriente nos últimos anos.
"Acordos e cessar-fogos estão a ser constantemente violados e os ataques continuam", referiu, apelando à "máxima contenção" e ao respeito pelos acordos e pelo Direito Internacional.
Num comentário focado na situação no Irão, o chefe da ONU insistiu numa "solução pacífica, justa e duradoura que também salvaguarde os direitos e liberdades de navegação internacionais, inclusive dentro e ao redor do estreito de Ormuz e do estreito de Bab el-Mandeb".
Em relação à crise em Gaza, onde Israel intensificou os ataques apesar do cessar-fogo, o líder das Nações Unidas pediu respeito à trégua e a implementação "plena" do plano elaborado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para pôr fim à guerra no enclave.
"Os obstáculos que prejudicam a ajuda humanitária devem ser removidos imediatamente", defendeu, sublinhando que, na Cisjordânia, "os ataques de colonos e a expansão dos colonatos devem cessar".
Destacou igualmente que a solução para o conflito reside numa solução de dois Estados: "Estados independentes, soberanos e democráticos, a viverem lado a lado em paz e segurança".
Em relação à guerra na Ucrânia, que já dura há quatro anos e meio desde o início da ofensiva russa, Guterres declarou que "é hora de um cessar-fogo total e imediato".
O antigo primeiro-ministro português sublinhou que esta medida conduziria a "negociações destinadas a alcançar uma paz justa, duradoura e abrangente", salientando que qualquer solução deve ser enquadrada no Direito Internacional, na Carta das Nações Unidas e nas resoluções relevantes da ONU.
Num fórum que destaca precisamente a ascensão de potências como a China e a Índia, Guterres defendeu um mundo multipolar, afirmando que é "algo positivo" e que deve ser "fortalecido".
"A multipolaridade é uma condição necessária para alcançar a justiça na governança global e nas relações internacionais. E é o melhor suporte para um multilateralismo eficaz e para uma Organização das Nações Unidas que sirva a todos, sem dois pesos e duas medidas e em conformidade com a Carta", explicou.
O chefe da ONU enfatizou, portanto, a necessidade de reforma das organizações internacionais concebidas após a Segunda Guerra Mundial e "que ainda refletem essencialmente a realidade de 1945 e as circunstâncias daquela época".
"Precisamos de reformar as nossas instituições multilaterais, incluindo as Nações Unidas e o sistema de Bretton Woods, para refletir as realidades atuais e aumentar a representação e a influência dos países em desenvolvimento, a fim de construir uma ordem mundial justa", argumentou Guterres.
O secretário-geral da ONU sublinhou a vontade de cooperar com o grupo de países da OCX para garantir a segurança global, mas também para abordar a questão climática, a arquitetura financeira global e desafios como a implementação da Inteligência Artificial.
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