O ministro dos Negócios Estrangeiros destacou hoje que há "enormes oportunidades para as empresas portuguesas" na Irlanda, devido aos investimentos públicos ...
Em declarações à agência Lusa após um encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, em Dublin, no âmbito de uma visita que está a fazer à Irlanda, que incluiu igualmente um dia dedicado à diplomacia económica, Paulo Rangel sublinhou o potencial económico bilateral entre os dois países.
"Há um plano, que é o plano Irlanda 2040, que, por exemplo, só no setor das conexões elétricas e das energias, é composto por mil milhões [de euros] por ano até essa altura. E o mesmo vale no caso da ferrovia: mais de mil milhões por ano na construção da ferrovia, materiais ferroviários, etc.", enumerou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros salientou que são "investimentos públicos muito, muito importantes, nos quais as empresas portuguesas podem ter um papel e uma oportunidade muito grande", frisando que falou com o embaixador de Portugal na Irlanda para que seja organizado um fórum económico entre Lisboa e Dublin.
"Porque as oportunidades para as empresas portuguesas e as oportunidades de investimento irlandês em Portugal são realmente muito grandes e nem sempre estão no radar, diria eu, das empresas portuguesas", referiu.
Questionado sobre quando é que esse fórum económico pode vir a ser realizado, Paulo Rangel indicou que ainda tem de falar com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), mas antecipou que poderá vir a acontecer no "curto prazo".
"Existe uma grande complementaridade entre as duas economias e um conhecimento, uma experiência portuguesa, por exemplo, em tudo o que são redes de telecomunicações, redes de energia, infraestruturas, construção de habitação, tudo o que tem a ver com a ferrovia… Portugal tem, de facto, uma capacidade para responder a estes pedidos", indicou.
Além desta vertente económica, Paulo Rangel referiu que, na sua visita à Irlanda, também teve encontros com a sua homóloga irlandesa, Helen McEntee, e, hoje, com o primeiro-ministro, Micheál Martin, nos quais discutiu a relação bilateral, mas também grandes temas da política europeia.
Em concreto, Paulo Rangel referiu que discutiu com os responsáveis irlandeses o próximo orçamento comunitário da União Europeia (UE), para o período entre 2028 e 2034, que a atual presidência irlandesa do Conselho de UE tenciona fechar até ao final do ano.
O ministro indicou que os responsáveis irlandeses manifestaram sensibilidade quanto aos argumentos portugueses, em particular no que se refere à política de coesão, observando que a Irlanda é um país com uma "posição especialmente favorável para compreender as posições dos vários países que têm pretensões diversas ou conflituantes".
"Porque a Irlanda foi um país altamente beneficiário da coesão e, ao mesmo tempo, tem tido uma política financeira extremamente cuidadosa. (…) Portanto, compreende muito bem as aspirações dos países da coesão, mas também dos países frugais", referiu Rangel, considerando que existe "uma grande oportunidade de vir a fechar este dossiê a tempo".
O ministro dos Negócios Estrangeiros indicou que discutiu também com o primeiro-ministro e a chefe da diplomacia irlandesa a questão do alargamento da UE, a União de Poupanças e Investimentos, a política comercial as relações com os Estados Unidos.
Rangel considerou que a sua visita à Irlanda, na qual irá participar na reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, na quarta-feira, está a ser "muito positiva" e "invulgarmente detalhada".
"Teve uma repercussão muito grande em termos políticos, em termos económicos", referiu o ministro português, acrescentando que, no sábado, dedicou igualmente um dia ao plano cultural, para incentivar o intercâmbio entre os dois países.
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