Os Veterinários Sem Fronteiras - Portugal fazem 20 anos a actuar em PALOPs, onde existe uma carência de Médicos Veterinários (que ainda não são reconhecidos como agentes de saúde pública).

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Nós quando levamos para lá uma equipa, não temos uma clínica perfeita à espera deles. Muitas vezes nós nos deslocamos às roças, onde é uma casa, às vezes até mesmo meio abandonada, sem água, sem luz, e temos que nos enrascar. Então nós quando enviamos para lá uma equipa, dizemos sempre: "Isto é ir com espírito de aventura". Vão aparecer 1500 problemas.

Colaboração, compração de uma ONG.

Exatamente. Vamos chegar ao dia, não temos carro porque não há combustível, ou não temos carro porque tem os pneus furados, temos que ir a pé, temos que ir de moto.

As estradas também são, o que eu sempre ouvi dizer, são picadas.

É a massagem africana, como nós costumamos dizer.

Toda a gente conhece os Médicos Sem Fronteiras, mas quem é que conhece os Veterinários Sem Fronteiras? Os Veterinários Sem Fronteiras Portugal celebram este ano 20 anos. São duas décadas a promover a saúde e o bem-estar das comunidades, dos animais e do ambiente. Esta ONG colabora sobretudo com os PALOP, onde há carência de cuidados veterinários e onde há, imagine, clínicas veterinárias sem um único veterinário residente. Comigo tenho a Rita Laranjinha, ela é estudante de medicina veterinária e é entusiasta da causa. Participou em cinco das oito campanhas, por exemplo, menos é mais, vamos saber depois o que isto quer dizer, que existiram até o momento e que atualmente faz parte da direção dos VSF Portugal, mas que, curiosamente, quando era nova, tinha medo de cães. Olá, Rita, e bem-hajas por ter aceitado este meu convite. Bem-vinda à Rádio University.

Muito obrigada. Em primeiro lugar, queria agradecer o convite, poder vir aqui falar um bocadinho acerca dos VSF e dar a conhecer a um público mais largo.

Sim, é muito importante. Veterinários Sem Fronteiras, não sabia que existia. Quando tivemos a entrevista com o teu amigo Bernardo Soares.

Veterinários Sem Fronteiras.

Adorei a sua reação.

Exato, mas é muito importante, as pessoas não sabem isto, vocês fazem coisas muito úteis. E cá está, One Health, não é só desparasitar e esterilizar os cães. Não, tudo o que vocês fazem pela saúde animal, e os veterinários são muito desconsiderados, não são reconhecidos, é terrível, já conversei com o Bernardo sobre isso. Tudo o que fazem vai impactar os humanos, vai impactar o ambiente. Portanto, saúde estamos todos envolvidos.

Claro que sim. Aliás, os veterinários também são agentes de saúde pública. Existem, infelizmente, imensas doenças zoonóticas, que são transmissíveis entre pessoas e animais. E então o facto de tratarmos os nossos animais ou os animais de rua, por exemplo, estamos a contribuir indiretamente também para a saúde humana.

O grande trabalho que se faz em Portugal impede, por exemplo, que a gente tenha raiva. E é uma coisa que ainda existe em imensos países, com os cães vadios e os cães grandes.

E apesar de Portugal estar livre, não quer dizer que um dia não volte.

Não volte a um surto, exatamente. Muito bem. Tu nasceste então em Arruda dos Vinhos, és arrudense.

Sou arrudense de gema.

Terra do fuzo e da boa comida também.

Toda a gente conhece o fuzo, eu digo sempre: há restaurantes melhor. Ai, que agora vão cancelar.

Exatamente, nunca mais lá entras. Mas come-se muito bem naquela zona, não é?