O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25) o ex-ministro Márcio França (PSB) como vice de sua chapa para a eleição de outubro. As ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) foram anunciadas como…

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou na quinta-feira (25) a configuração de sua chapa, com o ex-ministro Márcio França (PSB) como vice e as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) como pré-candidatas ao Senado.

Com a decisão, comunicada pelo ex-ministro da Fazenda um dia após encontro dos envolvidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve fim o impasse na definição das vagas que cada um ocuparia e se afastou a possibilidade de França concorrer, para tentar levar a eleição para o governo ao segundo turno. Pelo quadro atual de pré-candidaturas, a disputa deverá se concentrar em Haddad e no governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.

Haddad afirmou que ficou “muito à vontade” em fazer a escolha das posições dos aliados, “por causa da qualidade dos nomes”. Segundo relatou na quarta-feira (24), os três se colocaram à disposição para qualquer uma das vagas, durante a reunião com Lula, no Palácio da Alvorada. Ele justificou a escolha de França como vice “sobretudo pela experiência” do aliado como vice-governador e governador, entre 2015 e 2018, além de sua passagem por cargos do Executivo nos níveis municipal e federal. Citou ainda a “boa relação” do correligionário com duas categorias em especial, a dos policiais e a dos professores da rede pública.

Para as pré-candidaturas ao Senado, foi mantida a previsão de lançar Tebet e Marina. Haddad exaltou a trajetória de ambas — que fizeram a maior parte carreira política fora do Estado de São Paulo — e afirmou que uma de suas prioridades era manter a paridade de gênero na chapa. “Estamos saindo muito felizes desse debate interno”, declarou.

Atrás de Tarcísio nas pesquisas de intenção de voto até o momento, Haddad afirmou, durante entrevista coletiva, que a hipótese de vitória do governador já na primeira fase do pleito — cogitada após a desistência de dois pré-candidatos, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) — não foi discutida em profundidade com Lula.

“Estamos preocupados com que o debate aconteça, que os temas que são caros a nós sejam pautados, que a gente possa apresentar nossas objeções ao que está acontecendo na administração pública do Estado. E, obviamente, o eleitor é soberano, sempre, para decidir o destino na hora de votar. O que a gente quer é poder apresentar uma alternativa que, na nossa visão, é muito superior ao que está acontecendo hoje no Estado”, declarou Haddad.

França também manifestou contrapontos à gestão Tarcísio e fez a defesa de uma aproximação maior do governo do Estado com os municípios. Segundo o político do PSB, a eleição deve se encaminhar para um desfecho no primeiro turno. “Se for para ter uma disputa de um turno só, e existe essa possibilidade, é preciso estar preparado para as grandes surpresas. Um turno só é sempre apertado, para lá ou para cá. E a gente espera que seja para cá.”

Nos bastidores do PT, há preocupação com a possibilidade de derrota para Tarcísio no primeiro turno, pelo risco de desmobilização da esquerda no Estado e prejuízo à votação de Lula. A situação levou a esquerda a acelerar a definição do palanque. Tebet não participou do anúncio da chapa, na capital paulista, porque estava em sua cidade natal, Três Lagoas (MS), para acompanhar Lula em ato do governo federal.

Questionado sobre as críticas de rivais ao fato de as pré-candidatas ao Senado serem de fora de São Paulo, Haddad disse que só vê problema quando há uma “solução artificial”, mas alegou que esse não é o caso de Marina e Tebet. O pré-candidato citou relações de ambas com o Estado e lembrou que é filho de imigrantes. O assunto esteve presente no pleito de 2022, pelo fato de Tarcísio ter nascido no Rio de Janeiro.

“Esta é a visão misógina: quando são os homens que vêm para cá para disputar, são acolhidos com tapete vermelho; quando é uma mulher, é chamada de forasteira”, reagiu Marina, que concorreu a deputada federal por São Paulo e foi eleita em 2022.

Tarcísio já decidiu manter seu atual vice, Felicio Ramuth (MDB), na chapa à reeleição. Seus pré-candidatos ao Senado são o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual da Segurança Pública, e o estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa.

A avaliação de esquerda e direita é que eventual reeleição de Tarcísio já no primeiro turno pode impactar o embate nacional entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Maior colégio eleitoral do país, com 22% do eleitorado, São Paulo está no centro das estratégias das pré-campanhas.

Segundo pesquisa Genial/Quaest de abril, Tarcísio tinha 38% de intenções de voto no primeiro turno, ante 26% de Haddad — Kataguiri e Serra, que posteriormente desistiram, somavam 10%. No segundo turno contra Haddad, o governador foi a 49%, enquanto o ex-ministro da Fazenda registrou 32% no levantamento, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O desempenho da candidatura presidencial do PT em São Paulo é considerado crucial pelo partido e influenciou a escolha de Haddad como pré-candidato, com a intenção de usar a campanha local para também fazer uma defesa do governo Lula.