Ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo buscou defender politica econômica de Lula (PT) em compromissos desta segunda-feira (24)

O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), deixou de participar de uma caminhada que faria no bairro de São Miguel Paulista, na zona leste da capital, nesta segunda-feira (24), para manter os planos de jantar com empresários do ramo da infraestrutura. Segundo ele, o compromisso era importante para defender as políticas econômicas do governo do presidente Lula (PT) e criticar o resultado fiscal do estado paulista, comandado pelo seu principal adversário nas urnas, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

— Está todo mundo apreensivo com a situação do estado e do país. Eu quero mostrar que, na minha opinião, o Brasil está bem endereçado — declarou Haddad, em conversa com jornalistas no QG de campanha, próximo ao antigo estádio do Pacaembu, após o cancelamento.

O petista falou em “continuar prosperando na mesma direção”, ao compatibilizar “uma agenda de desenvolvimento sem prejudicar aqueles que mais precisam dos serviços do estado”, e citou a aprovação da reforma tributária como exemplo. Em contrapartida, repetiu que o governo Tarcísio fez menos investimentos do que a gestão anterior em três anos e demonstra problemas no controle das contas públicas, mesmo com os ganhos financeiros da desestatização da Sabesp.

— Teve perda de estoque de caixa e queda do investimento, e ele não consegue explicar isso. Toda a narrativa dele foi baseada em ser um grande gestor que tira as coisas do papel, mas quando você vai ver na prática, isso não aconteceu. Não estou falando isso por outra razão que não seja indicar um caminho. Vamos ter que pegar e rever os contratos, não só os de privatização, mas também os terceirizados, que ganharam uma proporção no orçamento atual exorbitante — disse.

A caminhada na zona leste estava marcada para 15h, enquanto o encontro reservado com empresários se daria às 19h, de acordo com a equipe de Haddad. Militantes já estavam posicionados com bandeiras, faixas e “pirulitos” com nome, foto e número de urna de candidatos da coligação, em frente ao Mercado Municipal, quando a desistência foi comunicada. O candidato a vice-governador, Márcio França (PSB), e o ex-ministro Paulo Teixeira (PT), do Desenvolvimento Agrário, também estavam presentes.

Naquele momento, José Luiz Datena (PSB), que concorre a deputado federal este ano, simulava um programa de TV e gritava com simpatizantes para votarem nele e “contra o mal”. Coube a Teixeira passar o recado no sistema de som, dizendo que o correligionário estava a caminho, mas não conseguiria participar do ato e chegar a tempo do outro compromisso de campanha. O atraso, naquela altura, já era de quase 1h30, e o trânsito da cidade havia piorado consideravelmente.

— O Haddad teve um contratempo. É por isso que ele pede desculpas para a militância. Ele vai dar, em breve, uma nova data para voltar. Porque ele sabe que, para ser governador, tem que vir para São Miguel. Aqui é a militância que leva o povo ao poder — afirmou Teixeira.