Uma nova carta com 436 referências (!) de doze países abre as portas da colecção pessoal do fundador da Howard’s Folly. Neste almoço, passámos por Venez...
À mesa juntou-se David Baverstock, o enólogo que está na origem deste projecto com o empresário britânico. O Sonhador Branco 2025 deu-nos as boas-vindas (garantidamente, o melhor branco que provámos este ano), antes de nos sentarmos para perceber o verdadeiro alcance desta novidade: uma selecção feita por Howard Bilton a partir da sua garrafeira pessoal, agora disponível a quem visita o restaurante.
Há ainda garrafas da sua colecção particular em Yorkshire e Londres que, «no futuro, poderão chegar a Estremoz», assegura o produtor. A oferta pode, por isso, ganhar novas referências, ao ritmo das suas decisões. Em paralelo, mantém-se a carta da casa, com dezoito vinhos Howard’s Folly, entre outras propostas.
Na cozinha está Allan Janini, um nome que vale a pena anotar: num almoço onde esperávamos que os vinhos fossem os protagonistas, os pratos também acabaram por roubar as atenções. A execução foi irrepreensível ao longo da refeição e a harmonização vínica acompanhou sempre este nível.
O pão com Marmite (uma pasta salgada, semelhante a um foie gras que foi o «terror de muitas crianças britânicas», lembrou Tom Bilton) abriu o almoço, numa referência britânica bastante apropriada às origens desta casa. Seguiram-se o Camarão Kataifi com Maionese de Manjericão e um prato que teve direito a storytelling de Howard Bilton.
O momento mais lúdico chegou com dois tintos servidos numa prova cega informal: o Cristina 2020, da Howard’s Folly, e o Barolo Percristina 2016, de Domenico Clerico. À mesa, os nomes próximos deram lugar ao exercício de provar sem a identificação imediata da garrafa. A carta internacional (pode vê-la aqui) também dá azo a momentos destes: a possibilidade de fazermos as nossas próprias ligações, entre vinhos de geografias distantes.
Para acompanhar este duelo de Cristinas, chegou à mesa a Presa de Porco Preto Alentejano DOP, com feijão branco, molho verde e castanhas, que nos trouxe de volta ao Alentejo. Foi um dos pratos que melhor mostrou a capacidade da cozinha para estar à altura deste almoço vínico, com uma carne cozinhada no ponto e um acompanhamento levemente doce, que fez um óptimo contraste com a proteína animal.
Saímos do The Folly com uma ideia feita: tínhamos acabado de estar num dos melhores almoços deste ano e, claro, com uma boa razão para regressar a Estremoz, que vai além da extensão da carta. As 436 referências permitem muitas visitas diferentes, mas foi a qualidade dos pratos que nos pareceu dar aos vinhos um contexto convincente.
Allan Janini assinou uma refeição sem falhas, com uma harmonização vínica de grande nível. Howard Bilton abriu a sua colecção da melhor maneira possível: com garrafas para partilhar e pratos que merecem acompanhá-las. O The Folly fica na Rua General Norton de Matos, em Estremoz, e funciona de Quinta-Feira ao jantar a Domingo ao almoço; as reservas podem ser feitas via TheFork ou pelo 268 332 151.




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