Presidente da Câmara quer votar sistema distrital misto ainda neste ano Parte dos parlamentares da Câmara dos Deputados quer aproveitar a atual composição da Casa para aprovar mudanças nas regras eleitorais ainda neste fim de ano. A articulação ocorre em meio à discussão sobre a adoção do sistema distrital misto, que pode alterar a forma de escolha dos deputados e reduzir a influência dos chamados puxadores de votos. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), é favorável ?

Presidente da Câmara quer votar sistema distrital misto ainda neste ano Parte dos parlamentares da Câmara dos Deputados quer aproveitar a atual composição da Casa para aprovar mudanças nas regras eleitorais ainda neste fim de ano. A articulação ocorre em meio à discussão sobre a adoção do sistema distrital misto, que pode alterar a forma de escolha dos deputados e reduzir a influência dos chamados puxadores de votos. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), é favorável à proposta, que também conta com o apoio de partidos do Centrão, especialmente do PSD, liderado por Gilberto Kassab. 🔎No modelo distrital misto, o eleitor participa de uma eleição que combina duas formas de escolha: candidatos disputam vagas diretamente nos distritos, pelo sistema majoritário, e outras cadeiras são definidas conforme a votação em listas previamente organizadas pelos partidos. 🔎 Já no sistema proporcional atual, o desempenho eleitoral do partido e de seus candidatos determina quantas vagas a legenda terá no Legislativo, por meio do quociente eleitoral. Depois, essas cadeiras ficam com os candidatos mais votados da sigla. Hugo Motta reúne presidentes de partidos para tratar de mudança no sistema eleitoral Reprodução/TV Globo Entre os principais interessados na mudança estão partidos que perderam cadeiras ou tiveram crescimento pouco expressivo nas últimas eleições. Essas legendas observam o avanço de siglas que se beneficiam do atual sistema proporcional, como o PL, que ampliou sua presença no Congresso graças, em parte, à votação expressiva de alguns candidatos. Partidos como PSD e MDB, que possuem forte presença nos municípios e comandam diversas prefeituras, também enxergam vantagens no modelo distrital misto. Nesse sistema, a disputa é dividida por distritos eleitorais, o que pode ampliar a influência dos prefeitos na escolha dos candidatos que concorrerão às vagas de deputado. Atualmente, o sistema proporcional permite que candidatos com votação expressiva ajudem a eleger outros integrantes de suas legendas. Conhecidos como puxadores de votos, esses parlamentares conseguem ampliar a representação partidária ao contribuir para que a sigla alcance o quociente eleitoral e partidário necessário para conquistar mais cadeiras. Nas últimas eleições, pouco mais de 30 deputados ajudaram a eleger outros parlamentares. Ao todo, cerca de 60 candidatos teriam conquistado uma vaga beneficiados pela votação de nomes mais populares. O fenômeno ganhou projeção nacional com Tiririca, eleito em 2010 com uma votação expressiva. Na época, sua votação ajudou a eleger outros candidatos e chamou a atenção dos partidos para o potencial desse mecanismo. Atualmente, o cenário é diferente. As redes sociais ampliaram a capacidade de alguns políticos de mobilizar eleitores em todo o estado, transformando nomes populares no ambiente digital em importantes cabos eleitorais de suas próprias legendas. Nicolas Ferreira é um dos exemplos desse fenômeno. LEIA TAMBÉM: Na eleição para a Câmara, famosos dão lugar a 'políticos influencers' A possibilidade de mudar as regras também provoca resistência entre partidos que se beneficiam do atual modelo. PT e PL estão entre as principais siglas contrárias à alteração, justamente porque possuem parlamentares com grande capacidade de mobilização eleitoral. O debate também envolve mudanças nas regras de propaganda política nas redes sociais, outro tema que deve entrar na pauta dos parlamentares no fim do ano. Uma das alternativas discutidas seria estabelecer um limite para a votação considerada válida para efeito de transferência de votos, evitando que candidatos com desempenho eleitoral muito acima da média ampliem excessivamente a bancada de seus partidos. Uma das hipóteses mencionadas seria estabelecer uma trava de até um milhão de votos para os chamados puxadores. Apesar da articulação para aprovar a proposta ainda neste ano, a resistência de PT e PL, duas das principais forças políticas do país em número de votos, pode dificultar o avanço da mudança. No caso do PT, a existência de uma federação partidária também é um fator que torna a discussão mais complexa. GloboPop: veja os vídeos do palco da Julia Dualibi