Um em cada quatro empregos analisados pelo Bureau of Labor Statistics está na categoria de exposição “muito alta”. No extremo oposto estão profissões q...
Carpinteiros, floristas, marceneiros, tapeceiros, pedreiros e vidreiros estão entre as profissões menos expostas à inteligência artificial (IA), de acordo com o novo mapa do Bureau of Labor Statistics (BLS) norte-americano. A análise abrange 831 profissões e cruza o grau de exposição às capacidades atuais da IA com as projeções de emprego para 2025–2035.
O El País, que analisou os mesmos dados, conclui que “uma em cada quatro profissões apresenta um risco ‘muito alto’ de ser substituída por inteligência artificial”. A proporção resulta das 206 profissões classificadas pelo BLS como de exposição muito alta, que representam 24,8% das 831 ocupações analisadas.
A formulação exige, contudo, uma ressalva. O BLS não classifica as profissões segundo um “risco de substituição”. A agência fala em exposição à IA e sublinha que esta medida não é uma previsão de perda de emprego, nem uma estimativa da probabilidade de um trabalhador ser substituído. Mede antes a proporção relativa de tarefas que podem ser realizadas ou apoiadas pelas capacidades atuais da inteligência artificial.
O padrão é particularmente evidente nas profissões que exigem trabalho físico, manipulação de materiais, deslocação no terreno ou competências manuais.
Entre as 60 profissões de construção e extração analisadas pelo BLS, 53 apresentam exposição baixa, seis moderada, uma alta e nenhuma muito alta. Na instalação, manutenção e reparação, 21 das 51 profissões têm exposição baixa, 27 moderada e apenas três alta. Não há nenhuma de exposição muito alta.
A lógica é relativamente simples: quanto maior a componente física e presencial de uma profissão, menor é, em regra, a correspondência entre as suas tarefas e as capacidades atuais dos modelos de inteligência artificial.
É também entre os ofícios que exigem competências manuais que aparecem algumas das profissões menos expostas. O El País destaca, além de floristas, tapeceiros e marceneiros, profissões como serralheiros e dançarinos.
As 206 profissões classificadas pelo BLS como de exposição muito alta estão, em grande medida, associadas a tarefas de processamento de informação, linguagem, análise, tratamento de dados ou utilização intensiva de ferramentas digitais.
E algumas das maiores quedas previstas no emprego encontram-se precisamente neste grupo.
Os processadores de texto e dactilógrafos surgem no topo, com uma redução prevista de 34,4% no emprego entre 2025 e 2035. Seguem-se os operadores de centrais telefónicas, com menos 26%, e os operadores de entrada de dados, com menos 25,5%.
É uma fotografia particularmente clara da pressão exercida pela automação sobre tarefas rotineiras, repetitivas e baseadas no tratamento de informação.
É aqui que os dados se tornam mais interessantes. Estar numa profissão com exposição muito alta à IA não significa necessariamente que o emprego vá diminuir.
Algumas das profissões mais expostas deverão, pelo contrário, crescer na próxima década.
A explicação está na própria metodologia. A exposição mede até que ponto as tarefas podem ser apoiadas ou realizadas por IA, mas não determina o número de trabalhadores que a economia vai precisar.
Um programador pode, por exemplo, utilizar IA para escrever código mais rapidamente e continuar a ser necessário em maior número porque a procura por software aumenta. Da mesma forma, enfermeiros podem utilizar ferramentas de IA para determinadas tarefas sem que isso reduza a necessidade de profissionais de saúde.
O mapa do BLS divide as ocupações em quatro grupos:
A agência norte-americana combinou cinco fontes externas para construir a classificação, incluindo estudos académicos sobre exposição teórica à IA e dados de utilização observada de ferramentas de inteligência artificial.
O BLS alerta que a classificação não deve ser interpretada como uma previsão de emprego, salários ou produtividade. Também não distingue entre situações em que a IA substitui uma tarefa e aquelas em que aumenta a capacidade do trabalhador.
Essa distinção é importante porque coloca lado a lado duas realidades aparentemente contraditórias: uma profissão pode estar muito exposta à IA e, simultaneamente, apresentar forte crescimento do emprego.
A maior proteção contra a IA, pelo menos de acordo com este mapa, não está necessariamente no nível de escolaridade. Está muitas vezes na natureza das tarefas.




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