A inteligência artificial e plataformas de big techs tentam capturar a nossa mente, e tantas pessoas -hipnotizadas pela rolagem infinita e pela montanha-russa emocional criada pelas telas- perdem o controle das próprias vidas. Leia mais (08/08/2026 - 07h00)
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Eduardo Sombini Doutor em geografia pela Unicamp, é repórter da Ilustríssima
A inteligência artificial e plataformas de big techs tentam capturar a nossa mente, e tantas pessoas —hipnotizadas pela rolagem infinita e pela montanha-russa emocional criada pelas telas— perdem o controle das próprias vidas.
No recém-lançado "O Monge, o Iogue e o Faquir" (Todavia), Ronaldo Lemos discute esse cenário a partir da metáfora de uma carruagem desgovernada, em que as suas partes —o corpo, as emoções e a mente— são cooptadas pela tecnologia, o que rompe o equilíbrio necessário para ser bem conduzida.
Neste episódio, Lemos fala sobre os três arquétipos do título do livro, inspirados em tradições espirituais da China, da Índia e do Ocidente, e aponta caminhos para cultivar o faquir, o monge e o iogue no interior de toda pessoa.
O autor defende que é preciso resistir à guerra do Vale do Silício contra a introspecção e se opõe às ideologias que prometem, por exemplo, que a IA vai criar um mundo de abundância universal.
Lemos sustenta que não existem trocas reais entre a IA e os humanos, por mais que as máquinas sejam ótimas ilusionistas e tentem convencer do contrário. Por isso, não ache que uma IA pode ser a sua namorada ou a sua terapeuta. Também não é bom pensar em terceirizar o raciocínio para elas: em vez de virar um super-herói da produtividade, ele diz, é mais provável fritar o cérebro e ficar burro.
Lemos é advogado, mestre pela Universidade Harvard e doutor pela USP. Cofundador do ITS Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro), foi um dos idealizadores do Marco Civil da Internet e é colunista da Folha.
Leia abaixo os trechos principais da entrevista. A íntegra está disponível em áudio.
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Uma carruagem desgovernada A metáfora vem do "Katha Upanishad", texto central para o hinduísmo que foi a peça fundamental para eu desenvolver o argumento do livro. Ela diz que o nosso corpo é o carro da carruagem, as nossas emoções são os cavalos, a nossa mente é o cocheiro e o mestre da carruagem é quem comanda esse conjunto.
O ponto do livro é que a nossa carruagem está totalmente desgovernada porque a tecnologia aprendeu a cooptar os cavalos, a capturar e prender o carro da carruagem e, sobretudo, a hipnotizar e controlar a nossa mente. Muitas vezes, cada um desses elementos quer ir para um lugar diferente e a gente sente isso porque o mestre está ausente. A maioria dessas decisões não é tomada por nós.
Acho que muita gente sente hoje que perdeu o controle da própria vida e que passa boa parte do tempo fazendo coisas que não gostaria de fazer, inclusive ficar em frente a uma tela por nove horas e 13 minutos. Essa é a média no Brasil hoje —o segundo maior tempo de tela do mundo, só atrás da África do Sul.
Essa questão exige uma resposta coletiva e uma resposta individual. A resposta coletiva está acontecendo: o Brasil proibiu o celular na escola, o que acho excelente, e a gente está vendo discussões para proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos.




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