Artigo: Quais assuntos talvez sejam abordados por Lula e Lee Jae Myung, na visita do presidente da Coreia do Sul ao Brasil?
Priorizar nos meus resultados Google Não é muito comum dois presidentes se encontrarem em um intervalo curto de menos de seis meses, mas, foi anunciada semana passada a visita do Presidente Sul Coreano Lee Jae Myung para o final de julho. Os dois presidentes já se na visita de Lula à Seul em fevereiro.
Na ocasião Lula e Lee Jae Myung discutiram sobre a adoção do Plano de Ação para Implementar a Parceria Estratégica Brasil – Coreia do Sul 2026-2029. Na qual eleva as relações entre os dois países trazendo uma maior aproximação. Além disso, naquele momento também foram assinados memorandos de entendimento em diversas áreas como: economia, agricultura, pecuária, saúde, ciência, tecnologia e inovação.
Essa foi a terceira visita de Lula à Coreia do Sul. A primeira visita ocorreu durante seu primeiro mandato em maio de 2005 liderando uma comitiva de ministros e empresários, em busca de expandir os laços comerciais. A segunda visita ocorreu em novembro de 2010 na cúpula de líderes do G20.
Mas, o que esperar da primeira visita do presidente Lee Jae Myung ao Brasil?
A relação Brasil-Coreia do Sul, já consolidada no comércio, avança para uma “integração produtiva” baseada em investimentos e cadeias de suprimentos, superando a mera troca de mercadorias. A Coreia contribui com planejamento estratégico e tecnologia; o Brasil, com mercado, recursos e potencial renovável. A centralidade da IA na agenda da visita de Lee Jae Myung sinaliza o aprofundamento da parceria em áreas de alta tecnologia, vitais para o futuro econômico de ambos.
A Coreia do Sul tem despontado em uma área muito importante, não só para o Brasil, mas para o mundo todo: Inteligência Artificial.
O Presidente Lee Jae Myung anunciou recentemente um plano amplo de investimento para garantir uma liderança sul coreana no setor. Mais de US$ 576 bilhões serão destinados a três áreas estratégicas — semicondutores, inteligência artificial física (robótica) e centros de dados de IA.
O plano, chamado “Três Megaprojetos”, foi apresentado pelo presidente Lee Jae Myung ao lado dos executivos da Samsung Electronics e da SK Hynix. Empresas que também investirão cerca de US$ 518 bilhões na construção de novas fábricas na região sudoeste do país, em uma busca de descentralizar o desenvolvimento tecnológico, hoje concentrado em Seul. Cidades como Gwangju e a província de Jeolla do Sul devem receber investimentos adicionais, enquanto um polo de encapsulamento de chips em Chungcheong receberá 81 trilhões de wones.
O plano ainda prevê grandes centros de dados de IA, com aportes de empresas como SK Group, GS Group e Naver, visando alcançar 18,4 gigawatts de capacidade até 2035 — investimento total de cerca de US$ 648 bilhões.
Esses megaprojetos tem como primeiro pilar, os semicondutores, prevê a criação de um novo polo de fabricação no sudoeste do país, uma tentativa clara de reduzir a dependência da região metropolitana de Seul e reativar economicamente outras áreas . No entanto, essa descentralização enfrenta desafios enormes, como a necessidade de infraestrutura de energia, água e mão de obra altamente qualificada, que podem não estar disponíveis no novo local com a rapidez necessária.
O segundo pilar, a inteligência artificial física (robótica), e o terceiro, os centros de dados de IA, mostram a ambição coreana de controlar toda a cadeia de valor da IA, desde a fabricação dos chips até a infraestrutura de dados que os alimenta. Os investimentos em centros de dados são gigantescos e visam garantir uma capacidade computacional massiva para o país até a próxima década.
Este anúncio reforça a posição da Coreia do Sul como um dos poucos países capazes de competir de forma integrada em toda a cadeia de valor da inteligência artificial: da fabricação de chips à infraestrutura de dados, passando pela robótica aplicada à indústria. É justamente nesse contexto que a viagem de Lee Jae Myung ao Brasil, ganha um significado adicional.
Se o encontro de fevereiro em Seul foi marcado pela assinatura de acordos em comércio, agricultura e cooperação financeira, a visita à Brasília deve colocar a inteligência artificial no centro da pauta bilateral.
O Brasil, que vem discutindo sua própria política nacional de IA e busca atrair investimentos estrangeiros para infraestrutura tecnológica, pode encontrar na Coreia do Sul um parceiro com experiência recente em planejamento de longo prazo para o setor.
*Kelly Ferreira é mestre em Relações internacionais pelo Programa San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP e PUC SP), doutora em Relações Internacionais pelo IRI-USP, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais sobre Ásia da USP e professora em Relações Internacionais da PUC Campinas.



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