Com mercado de trabalho em transformação, escolas passam a investir em pensamento crítico, resolução de problemas e capacidade de aprender novas tecnologias     O avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias está mudando não apenas a forma de trabalhar, mas também as habilidades esperadas de quem ainda está na escola. Diante de profissões que podem desaparecer, ganhar novas funções ou sequer existem atualmente, preparar os estudantes para o mercado deixou de significar apenas ensinar ferramentas digitais e passou a envolver competências que permitam acompanhar mudanças ao longo da vida profissional.

Para Alex Paiva, head de produtos do Educacional, Ecossistema de Tecnologia e Inovação da Positivo Tecnologia, tentar adivinhar quais serão as carreiras mais promissoras dos próximos anos não deve ser a principal preocupação das escolas. O foco, segundo ele, precisa estar na capacidade dos estudantes de aprender continuamente, adaptar-se a diferentes cenários e compreender tecnologias que ainda serão desenvolvidas. “É comum que as escolas tentem prever quais serão as profissões do futuro. No entanto, é mais importante desenvolver nos alunos competências que lhes permitam aprender continuamente, adaptar-se às mudanças e trabalhar com tecnologias que ainda nem conhecemos”, afirma Paiva. Para ele, a rapidez das transformações exige uma formação menos concentrada em ferramentas específicas e mais voltada à maneira como os jovens lidam com problemas e informações. A discussão ganhou ainda mais espaço com as novas exigências relacionadas à educação digital. A partir de 2026, a BNCC Computação passou a integrar as obrigações das redes de ensino, enquanto novas diretrizes também colocaram o uso da inteligência artificial no cotidiano das escolas. O movimento aumenta a necessidade de transformar conceitos como pensamento computacional e educação digital em atividades que façam sentido dentro da sala de aula. Ao mesmo tempo, a formação dos professores aparece como parte central desse desafio. Dados apresentados no TALIS 2024 indicam que 56% dos docentes brasileiros já utilizavam inteligência artificial na preparação de aulas. Entre os professores que não haviam usado IA no ensino nos 12 meses anteriores à pesquisa, 64% disseram não possuir conhecimentos e habilidades suficientes para trabalhar a tecnologia de maneira estruturada. Tecnologia vai além do uso de ferramentas Para o Educacional, a mudança passa justamente por deixar de tratar tecnologia apenas como um conteúdo isolado. Pensamento crítico, criatividade, colaboração, raciocínio lógico e resolução de problemas ganham espaço em uma formação voltada para estudantes que deverão ingressar em um mercado marcado cada vez mais pela automação e pela presença da inteligência artificial. “O maior risco não é o aluno não conhecer uma ferramenta de inteligência artificial. É sair da escola sem entender como pensar criticamente, resolver problemas e aprender novas tecnologias”, afirma Paiva. Segundo ele, colocar equipamentos ou plataformas dentro da escola não resolve a questão por si só, principalmente quando professores e alunos não conseguem relacionar os recursos utilizados com situações e problemas concretos.