Ndidi Oteh, que assumiu o comando da área de criatividade da Accenture, fala sobre transformação dos negócios e o potencial do Brasil
A mudança acontece em um momento em que a inteligência artificial começa a transformar profundamente o trabalho de agências, departamentos de marketing e empresas de tecnologia. Para a executiva, porém, o principal desafio não é simplesmente incorporar novas ferramentas, mas repensar a maneira como as empresas trabalham e criam valor.
Com experiência em varejo, marketing, desenvolvimento de produtos, sustentabilidade e estratégia, ela defende uma visão em que a criatividade precisa estar integrada à tecnologia e aos negócios, mas sem perder de vista o consumidor. Na sua avaliação, empresas que realmente conseguem se transformar são aquelas que começam por uma ambição clara e só depois definem quais tecnologias precisam adotar.
O Brasil ocupa um lugar importante nessa estratégia. Considerado um dos mercados mais criativos e digitalmente engajados do mundo, o país é visto pela executiva como um laboratório para entender mudanças no comportamento do consumidor e antecipar tendências em áreas como inteligência artificial, personalização, comércio e experiências digitais.
Ela estará em São Paulo nesta terça-feira (11), para participar do SP2B – São Paulo Beyond Business, onde discutirá os impactos da inteligência artificial, criatividade e transformação dos negócios.
Nesta entrevista a VEJA, a executiva fala sobre sua chegada ao comando da Accenture Song, os desafios da IA para as empresas, a importância da criatividade na transformação dos negócios, o potencial do mercado brasileiro e as lições que levou da experiência como professora voluntária de escrita criativa em um centro de saúde mental em Los Angeles.
O legado que espero construir é de crescimento: para nossos clientes, para nossas pessoas e para aquilo que a criatividade pode alcançar. David ajudou a estabelecer uma ideia muito poderosa: a de que criatividade pode ser uma verdadeira capacidade de negócios e um motor de crescimento.
Meu foco é levar essa ideia adiante, ajudando os clientes a combinar criatividade, tecnologia e dados de maneiras que gerem valor mensurável. Temos uma oportunidade de ampliar o que a criatividade pode alcançar e, ao mesmo tempo, construir uma cultura em que as pessoas tenham autonomia e entusiasmo para criar o que vem pela frente.
As duas coisas. Criatividade, tecnologia e transformação dos negócios são fundamentais para qualquer empresa que queira continuar relevante. É isso que diferencia a Accenture Song.
Vemos que, ao reunir criativos, especialistas em tecnologia, estrategistas, profissionais de marketing, criadores, designers e especialistas de diferentes setores em torno de uma mesma visão, conseguimos ajudar nossos clientes a cumprir suas promessas aos consumidores e, ao mesmo tempo, gerar valor para a empresa.
Podemos ajudar a formular a ideia, desenhar e construir a experiência, implementar a tecnologia que está por trás dela e estimular sua adoção dentro da organização. Essa capacidade de transitar da estratégia para a execução é o que cria valor para os clientes.
Isso é ainda mais importante agora. A inteligência artificial está mudando muita coisa em uma velocidade enorme. As empresas precisam combinar criatividade, capacidade humana e tecnologia se quiserem produzir crescimento relevante e duradouro.
O maior erro é pensar que a própria inteligência artificial é a resposta. A IA é uma ferramenta. A verdadeira questão é como usá-la para mudar a maneira como o trabalho é realizado.
As empresas que vão extrair mais valor da IA são aquelas capazes de parar e perguntar: como isso muda o trabalho das minhas equipes? Como muda as habilidades e expectativas em relação aos profissionais que tenho? Quais ferramentas essas equipes precisam para realizar o trabalho do futuro?
Isso significa não simplesmente pegar processos antigos e aplicar IA sobre eles, mas reinventar a maneira como o trabalho é feito.
A verdadeira promessa da inteligência artificial não é apenas produtividade. É criar mais espaço para que as pessoas realizem trabalhos de maior valor, mais criativos e de maior impacto.
As empresas que realmente conseguem se reinventar não começam pela tecnologia. Começam por uma ambição clara, por uma visão de quem querem ser, de como querem crescer e da relação que desejam construir com seus consumidores e clientes.
Tecnologia, sozinha, não transforma uma empresa. Líderes transformam.
O que diferencia uma verdadeira reinvenção de uma simples adoção de tecnologia é o esforço da liderança para criar alinhamento dentro de toda a organização. Uma transformação real não significa instalar uma tecnologia. Significa mudar a maneira como uma empresa toma decisões, atende clientes, entrega valor e cria crescimento.
Minha experiência no varejo me ensinou que tudo começa pelas pessoas, tanto os consumidores quanto as equipes.
Para as equipes, não basta contratar os melhores talentos. É preciso criar uma estrutura que dê autonomia, permita assumir riscos e ofereça oportunidades de crescimento.




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