Para Bhavya Kapoor, Brasil e Índia têm maior disposição para experimentar novas tecnologias

Priorizar nos meus resultados Google A próxima onda de inteligência artificial pode não ser liderada apenas pelos países que estão hoje na fronteira tecnológica.

Na avaliação de Bhavya Kapoor, presidente de Growth Markets da Avanade, mercados emergentes como Brasil, Índia e países do Sudeste Asiático têm uma oportunidade particular de acelerar a adoção de IA e, em alguns casos, até pular etapas percorridas pelas economias mais maduras.

Kapoor é responsável pelos negócios da Avanade na Ásia-Pacífico, Japão e América Latina.

Criada pela Accenture e pela Microsoft, a empresa é especializada em soluções empresariais baseadas no ecossistema da Microsoft. O executivo esteve no Brasil para encontros com clientes e eventos da companhia.

Para Kapoor, a principal vantagem dos mercados de alto crescimento está na velocidade.

Países com menos sistemas legados podem ter mais facilidade para incorporar novas tecnologias, enquanto empresas menores também podem adotar soluções de IA sem carregar a mesma estrutura tecnológica das grandes corporações.

O executivo cita a experiência da Índia, onde a combinação de infraestrutura digital, escala e capacidade de experimentação ajudou a acelerar a transformação de setores inteiros.

Um exemplo é a UPI, sistema de pagamentos instantâneos que se tornou uma das maiores redes digitais de pagamentos do mundo.

No Brasil, Kapoor vê oportunidades especialmente em áreas nas quais o país já possui vantagens competitivas, como agronegócio, serviços financeiros e energia.

A questão, segundo ele, é transformar essas vantagens em uma plataforma para uma nova etapa de crescimento baseada em tecnologia.

Mercados como Índia, Sudeste Asiático e Brasil são muito diferentes entre si. O que a experiência nesses países ensina sobre a transformação tecnológica?

São muito diversos, mas existe uma característica comum nos mercados de alto crescimento: a sensação de urgência. Eles precisam crescer e têm uma força de trabalho que está entrando rapidamente em novas formas de utilização da tecnologia.

Isso cria uma capacidade de se mover mais rapidamente. A velocidade de decisão e a capacidade de experimentar podem se tornar uma vantagem competitiva muito maior nesses mercados do que em economias maduras.

A IA e outras tecnologias podem funcionar como um grande nivelador. O impacto potencial é muito maior quando uma empresa ou um país não precisa carregar décadas de sistemas e processos legados.

Então países emergentes podem ultrapassar economias mais maduras na adoção de IA?

Sim. Existe uma oportunidade de dar um salto. Se você olha para a história da tecnologia, muitas vezes a destruição criativa é mais rápida do que a substituição gradual de sistemas existentes.

A Índia oferece bons exemplos. A UPI criou uma infraestrutura de pagamentos digitais de enorme escala e permitiu que bancos, empresas de tecnologia e outros participantes construíssem serviços sobre uma mesma base. O Brasil também tem exemplos muito fortes, como o Pix e o avanço do open finance.

A pergunta é: podemos fazer algo semelhante com IA? Podemos colocar essa tecnologia nas mãos de pequenas empresas, e não apenas de grandes corporações? Essa é uma das maiores oportunidades.

O que o Brasil poderia aprender com a velocidade de adoção tecnológica da Índia?

O Brasil já é muito forte em várias áreas. É uma potência do agronegócio, tem um setor financeiro sofisticado, uma matriz energética muito competitiva e desenvolveu soluções digitais importantes.