Dados do comércio reforçam percepção de desaceleração da economia, enquanto investidores acompanham STF e tensões no Oriente Médio
Priorize VEJA no Google O Ibovespa abriu em leve alta nesta terça-feira, 15, aos 185 869 pontos, com avanço de 0,20%. O mercado brasileiro inicia o pregão repercutindo os novos dados do comércio varejista, enquanto investidores acompanham o cenário político doméstico e a trajetória dos preços do petróleo no exterior.
Mais cedo, os dados do varejo mostraram queda de 0,8% no volume de vendas em julho na comparação com junho, na série com ajuste sazonal. Frente ao mesmo mês de 2025, porém, houve crescimento de 1,2%. No acumulado do ano, o setor avança 1,8%.
Para Rafael Pastorello, Portfólio Manager do Banco Sofisa, os números ajudam a reforçar a leitura de perda gradual de força da atividade econômica brasileira, fator que pode influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária. “O Ibovespa sinaliza uma abertura em leve alta nesta sessão, acompanhando o comportamento positivo do pré-mercado. No cenário doméstico, a divulgação das vendas no varejo reforçou a percepção de desaceleração gradual da atividade econômica, aumentando as expectativas de que o Banco Central possa promover novos cortes de juros ao longo de 2026”, afirma Pastorello.
A perspectiva para os juros costuma ter impacto relevante sobre a Bolsa. A expectativa de taxas menores pode beneficiar principalmente empresas mais sensíveis ao custo do crédito e à atividade doméstica, embora o comportamento dos ativos dependa também de outros fatores econômicos e políticos.
Apesar da abertura positiva, o cenário doméstico pode adicionar volatilidade ao pregão. Os investidores acompanham os desdobramentos da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio aos possíveis reflexos sobre a percepção de risco dos ativos brasileiros. “Apesar do viés positivo na abertura, os investidores devem adotar uma postura mais cautelosa ao longo do pregão, acompanhando os desdobramentos da sessão do Supremo Tribunal Federal, que seguem adicionando incerteza e volatilidade aos mercados locais”, diz Pastorello.
O ambiente político divide espaço com a leitura sobre a atividade econômica. A queda das vendas do varejo ocorreu em cinco das oito atividades pesquisadas, enquanto 20 das 27 unidades da Federação registraram retração na passagem de junho para julho.
No exterior, o petróleo permanece entre os principais pontos de atenção. As tensões geopolíticas no Oriente Médio têm pressionado as cotações da commodity, movimento que pode produzir efeitos distintos sobre a economia, mas tende a favorecer diretamente as ações de produtoras de petróleo.
Como companhias do setor de energia possuem peso relevante no Ibovespa, a valorização da commodity pode oferecer algum suporte ao índice brasileiro durante o pregão. “No cenário externo, a trajetória dos preços do petróleo continuará no radar. A valorização da commodity diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio tende a favorecer mercados de países exportadores, como o Brasil, especialmente por meio do desempenho das empresas ligadas ao setor de energia”, afirma Pastorello.



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