Diante do impulso das ações da Petrobras e de um cenário eleitoral com disputa mais apertada à Presidência da República, o Ibovespa apresentou alta desde os primeiros minutos desta segunda-feira. Segundo participantes do mercado, a maior possibilidade de um s…

Diante do impulso das ações da Petrobras e de um cenário eleitoral de disputa mais apertada à Presidência, o Ibovespa apresentou alta desde os primeiros minutos desta segunda-feira. Segundo participantes do mercado, a maior possibilidade de um segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de outubro, evidenciada nas pesquisas Atlas/Bloomberg e BTG/Nexus foi um dos principais direcionadores positivos da bolsa local hoje.

Pelo fato de as ações brasileiras serem a classe de ativos doméstica que estava mais deteriorada em termos de preços na visão de analistas, a bolsa foi o ativo que mais reagiu hoje às novas pesquisas eleitorais. Com isso, o Ibovespa fechou com alta de 1,01%, aos 177.431 pontos, oscilando entre 175.665 e 178.586 pontos. No mês, o índice encerrou com queda de 0,33%, recuperando-se bastante das fortes perdas registradas no começo do mês.

Embora a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã tenha aumentado as incertezas no cenário geopolítico, a valorização do petróleo no exterior deu apoio aos papéis da Petrobras, enquanto as pesquisas eleitorais ajudaram a deixar as preocupações externas em segundo plano.

No fim, as PN da Petrobras subiram 3,38% e as ON ganharam 4,23%, o que pode indicar compra do papel por parte de investidores estrangeiros. Bancos também subiram forte, com destaque para as ON do Banco do Brasil, que ganharam 2,83%, refletindo o acirramento da disputa eleitoral à Presidência.

A exceção ficou para as units do Santander, que perderam 1,50%, assim como as ON da Vale, que recuaram 0,93%.

O codiretor da Azimut Brasil Wealth Management, Eduardo Carlier, explica que a recuperação do Ibovespa hoje é uma continuação da melhora da bolsa local observada desde a segunda quinzena do mês, impulsionada pelo acirramento da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Não à toa, após ceder quase 8% no mês, o índice conseguiu devolver boa parte das perdas e terminar o mês em leve queda de 0,33%.

Segundo Carlier, na primeira quinzena de agosto, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo estavam nas máximas e o petróleo operava em alta no exterior. Ao mesmo tempo, o ambiente doméstico era desafiador, com forte saída de recursos estrangeiros da bolsa brasileira, revisão para baixo das projeções para o PIB de 2027 e pesquisas eleitorais que ainda não apontavam uma aproximação entre Lula e Flávio.

“Já na segunda quinzena, o juro longo americano se afastou das máximas, o petróleo cedeu um pouco, o fluxo estrangeiro voltou um pouco e as pesquisas mostraram uma disputa eleitoral mais acirrada. Quase tudo melhorou na margem, o que levou a essa recuperação da bolsa local”, observa.

O executivo, no entanto, define a correção recente como “técnica”, já que não houve uma melhora estrutural nos fundamentos para a bolsa local. “A recuperação ocorreu, mas não passamos ainda pelo pleito eleitoral, o petróleo voltou a subir um pouco hoje e os juros americanos mais longos também. O que aconteceu foi que o mercado comemorou o resultado das pesquisas”, resume.

Devido aos ajustes de fim de mês, o volume financeiro negociado hoje pelo Ibovespa foi mais expressivo e chegou a R$ 23,1 bilhões, alcançando R$ 30,6 bilhões na B3.

Enquanto aqui o dia foi de ganhos, o pregão foi de perdas em Wall Street. Por lá, o Nasdaq cedeu 0,12%; o S&P 500 perdeu 0,33%; e o Dow Jones recuou 0,70%.