Dólar avança a R$ 5,16 enquanto investidores se preparam para decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos
Priorizar nos meus resultados Google O Ibovespa operava em queda de 1,33% nesta segunda-feira, 14, aos 184 730 pontos, em uma sessão marcada pela alta do petróleo e pela cautela dos investidores antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
No câmbio, o dólar avançava 0,77%, negociado a 5,16 reais. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas, subia 0,49%. O petróleo também permanecia no radar. A commodity era negociada a 108,65 dólares, patamar que amplia as preocupações com os efeitos da energia mais cara sobre a inflação e a atividade econômica global.
Para Gustavo Assis, CEO da Asset, parte da valorização do dólar frente ao real acompanha um movimento internacional, mas fatores domésticos também acrescentam pressão à moeda brasileira. “A diferença de 0,28 ponto percentual mostra que existe uma pressão global sobre a moeda, mas também uma camada adicional de risco doméstico. O petróleo a US$ 108,65 fortalece o dólar como ativo de proteção, enquanto os desdobramentos políticos e institucionais elevam o prêmio exigido para manter recursos no Brasil”, afirma.
A valorização do petróleo costuma favorecer empresas produtoras e pode beneficiar o Brasil por meio do aumento das receitas de exportação. Quando a commodity alcança níveis muito elevados, porém, o efeito sobre os mercados passa a ser mais complexo.
Segundo Assis, com o barril acima dos 108 dólares, a preocupação com a inflação começa a ganhar mais peso. Energia mais cara aumenta custos para empresas e consumidores e pode pressionar os rendimentos dos títulos americanos, reduzindo o apetite dos investidores por ativos de países emergentes. Essa dinâmica também ajuda a explicar o comportamento da Bolsa. Petrobras e outras companhias ligadas à produção de petróleo tendem a receber suporte da valorização da commodity, enquanto setores mais sensíveis à atividade econômica e aos juros podem ser penalizados.
Empresas de consumo, transporte, construção, indústria e crédito estão entre as que podem sofrer com a combinação de custos mais altos e juros futuros pressionados. “Quanto maior a permanência do barril acima de US$ 100, menor tende a ser a capacidade das petroleiras de sustentar sozinhas o índice, porque o choque passa a reduzir as expectativas de crescimento e lucro de uma parcela mais ampla das empresas”, explica Assis. Na sexta-feira, 11, o Ibovespa já havia encerrado a sessão em queda de 0,56%, aos 187.206 pontos.
Além do petróleo, investidores se preparam para a chamada Superquarta, quando Federal Reserve (Fed) e Comitê de Política Monetária (Copom) anunciam suas decisões sobre os juros. Segundo os dados apresentados por Assis, o mercado atribuía probabilidade de 86,5% a uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A atenção também estará voltada para a Selic. Na avaliação do executivo, caso o Fed eleve os juros em 0,25 ponto e o Copom reduza a taxa brasileira em igual magnitude, o diferencial de juros entre os dois países diminuiria 0,50 ponto percentual de uma só vez.
Uma redução dessa diferença pode tornar os ativos brasileiros relativamente menos atraentes e retirar parte do suporte que os juros elevados oferecem ao real. “Para dólar e Ibovespa, portanto, o ponto central não será apenas o que cada banco central decidir, mas o quanto essa combinação altera o retorno relativo dos ativos brasileiros”, afirma Assis.




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